Nós dois temos o hábito de inventar apelidos um para o outro. Isso nos torna ainda mais íntimos e cúmplices. Muitas vezes o motivo se perde mas o apelido continua.
Faz um tempo, mais de um ano, numa das vezes em que eu, com a sensibilidade que dormita sob a pele exposta como em um esfolado, cheguei em casa com a auto-estima a se esvair pelo ferimento. Fiquei o resto do dia arrasada e acabei cochilando antes dele chegar do hospital.
Quando entrou na sala, pareceu-me ter ouvido que me chamava - Taylor. Sentei no sofá e perguntei - Você está me chamando de Taylor? Ele disse que não, riu um pouco, eu acabei de acordar e a vida continuou em seu curso manso. O apelido vigora entre vários outros.
Na semana passada, quando soube da morte da Elizabeth Taylor, lembrei-me do que sonhava naquela tarde: Ele dizia: "Você é minha Elizabeth Taylor".
O meu inconsciente trabalhava para melhorar minha figura e eu me sentia linda, carismática e poderosa como Lis Taylor foi.