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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Viagens

Vai amigo, fazer amigos.
Mas não se afaste muito da minha memória, que dôo de saudade, quero lembranças e carinho.
Vai, que fiquei o dia todo esperando, que sua viagem agendada tivesse início, que suas malas estivessem prontas e seu transporte batesse à porta.
Ainda é cedo para ir, mas reconheço sua urgência e capitulo.
Como é penoso despedir e enfrentar a volta para casa.
Sei que é natural este ir e vir, quantas vezes viajei, incontáveis, por motivos tão diversos e para lugares tão estrangeiros.
E sempre que volto frequento o limbo das estações de transição.
Mas quando é hora de sumir uns tempos, criar asas e seguir, sinto a ebulição das águas termais interiores.
Você, pequenino, talvez nem soubesse dessa sua viagem tão emergencial e definitiva.
Como não pôde ser um saltimbanco, apenas acompanhou agradecido quem lhe quis tanto bem; e se reclamou às vezes compreendo que era a força de sua natureza selvagem.
Você não será esquecido. A terra, tão materna, recolherá seu filho, como a todos os outros.
Frutos da terra que somos, ambos retornaremos renovados e em algum momento cruzaremos de novo nosso olhar. 
 

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Primavera

Hoje, não quero falar de dores, quero falar de amores.
Gosto da serenidade de quem vai, como se ficasse.
Gosto de quem ama sem medidas, sem contornos.
Não quero falar de separação, muito menos de despedida, quero falar de encontros, de saudades de ver e abraçar.
Vontade de ser parente, todo dia dar bom dia, toda noite conversar àtoa.
Se não é possível, vamos jogar pra frente, jogar limpo e consciente, jogar e viver.
E se um dia os sonhos comuns se modificarem,  correremos uma maratona de cotidiano.
Estar próximo do distante é uma questão de alma, uma questão de vida.
Ali na esquina, estarei esperando.
Uma notícia boa,  novidades, ou velhos temas atualizados.
Vamos conferir medidas com a fita métrica e definir objetivos para a próxima estação.
Só assim faz sentido.
Olha só, vem chegando a primavera!