Porque na época, o ócio era entediante e o máximo da interação "virtual" possível era o telefone, em geral preso à parede pelo fio enroladinho. Sem privacidade e quase sem opções para passar o tempo.
Bom, minhas irmãs cantavam e tocavam e eu às vezes também cantava na gaiatice, para sentir o doce sabor do sucesso.
A Renata conhecia a cidade inteira e vice-versa. Cantava em festivais e missas; ou em qualquer lugar que a chamassem, ela adorava. Junto com alguns amigos afinados montou uma trupe que se chamava Grupo. Acho que a formação básica era a Renata, Fernanda, Lisete, Ricardo, Sérgio, Marcelo, Eliana e Maria Inês, mas sempre havia alguém a mais agregado; eu inclusive algumas vezes participei. Os ensaios eram frequentes; tocavam e cantavam de tudo, era lindo e dá uma saudade...
Não sei quando começaram a cantar em casamentos mas lembro-me com encanto de sentir a melodia espalhar-se pela catedral. À medida em que escrevo recordo-me das músicas que tocavam, nossa!!! Aquela experiência não era para qualquer adolescente. Eu tive muita sorte!
Quando me casei, o Grupo foi tocar para nós. Eles sabiam bem como harmonizar a liturgia com as canções.
No meio da cerimônia pude ouvir a música perfeita para o momento e para nós dois - Cio da Terra.
Tive a impressão definitiva de que a terra precisa mesmo ser afagada para dar seus frutos e é preciso muito trabalho.
Nada como dividir, compartilhar e realizar essa tarefa por mais de trinta anos com o "querido" certo.
Naquele momento, extremamente emocionada percebi que seria para sempre.