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terça-feira, 10 de maio de 2011

Cio da Terra

Faço parte de uma família musical e barulhenta. Todos tiveram sua vez de aprender violão e flauta, no mínimo. Lembro-me de que pelejávamos para tocar Greensleeves na flautinha doce e lá pelas tantas um som agudo deflagrava o insucesso! Pííííiííííííí´. O artista da vez tinha se cansado; e a flautinha ficava lá jogada até alguém sem nada mais interessante para fazer resolver tentar outra vez.
Porque na época, o ócio era entediante e o máximo da interação "virtual" possível era o telefone, em geral preso à parede pelo fio enroladinho. Sem privacidade e quase sem opções para passar o tempo.
Bom, minhas irmãs cantavam e tocavam e eu às vezes também cantava na gaiatice, para sentir o doce sabor do sucesso.
A Renata conhecia a cidade inteira e vice-versa. Cantava em festivais e missas; ou em qualquer lugar que a chamassem, ela adorava. Junto com alguns amigos afinados montou uma trupe que se chamava Grupo. Acho que a formação básica era a Renata, Fernanda, Lisete, Ricardo, Sérgio, Marcelo, Eliana  e Maria Inês,  mas sempre havia alguém a mais agregado; eu inclusive algumas vezes participei.  Os ensaios eram frequentes; tocavam e cantavam de tudo,  era lindo e dá uma saudade... 
Não sei quando começaram a cantar em casamentos mas lembro-me com encanto de sentir a melodia  espalhar-se  pela catedral. À medida em que escrevo recordo-me das músicas que tocavam, nossa!!! Aquela experiência não era para qualquer adolescente. Eu tive muita sorte!
Quando me casei, o Grupo foi tocar para nós. Eles sabiam bem como harmonizar a liturgia com as canções.
No meio da cerimônia pude ouvir a música perfeita para o momento e para nós dois - Cio da Terra.
Tive a impressão definitiva de que a terra precisa mesmo ser afagada para dar seus frutos e é preciso muito trabalho.
Nada como dividir, compartilhar e realizar essa tarefa por mais de trinta anos com o "querido" certo.
Naquele momento, extremamente emocionada percebi que seria para sempre.