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quarta-feira, 31 de agosto de 2011

O namorado da minha irmã

O Mário chegava  em Uberaba depois da longa viagem desde o Rio de Janeiro onde fazia residência médica, para passar uns dias com a namorada.
Depois do jantar contava histórias de medicina que ele tinha vivido nas últimas semanas.
Trabalhava em um grande hospital com muito pronto-socorro,  então era uma pauleira só.
Ele desde sempre foi muito engraçado, tem umas tiradas de tirar o chapéu.
Mas enquanto ele contava as histórias,  eu com uns 10 anos ia ficando cada vez mais impressionada.
Fazia de conta que era tudo muito normal, mas teve um dia que ele me pegou no pulo!
- Ei, menina você fica aí ouvindo com esses olhões arregalados, depois não vai dormir!
Não era para ele ter percebido. Mas lembro direitinho dessa cena.
Ele deu um gato para a  Nanana enquanto ainda eram namorados. Era um bichano arredio e eu naquela época não sabia que gostava tanto de animais.
Acho que preferia mantê-los afastados para não sofrer com as situações estressantes e as perdas eventuais.
Atualmente compartilho com ele esse amor visceral pelos gatos.
E com certeza também compartilhamos o amor pelas filhas dele.
Todas tão lindas e apaixonadas por animais!

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Deixar estar

Faz de conta que eu comprei um cavalinho de madeira que faz um movimento de vai e vem engraçado, só para seu prazer, só para seu deleite.
Finge que todos os animaizinhos rejeitados, foram socorridos.
Mas  tão poucos tem a sorte de encontrar abrigo e eu fico aqui lacrimosa pensando, não são apenas os animais, e todas as crianças? E todos os velhos e aqueles todos com deficiências?
Hoje vi um pai que andava rapidamente - quase corria - e falava ao telefone. Alguns metros atrás dele ia o filho com uma leve disfunção, algum retardo. O pai ocasionalmente gritava para ele -  vamos, ande mais rápido! E o rapazinho ia, correndo até alcançá-lo e ele continuava caminhando muito, muito depressa.
Talvez seja a forma dele de estimular seu  filho.
Mas fiquei cheia de dedos, cuidado com ele, cuidado, ele é tão frágil...
Contida, corri o máximo que pude, antes que minha vontade absurda de pegá-lo no colo e levá-lo para casa me envolvesse.
E aqui, continuo pensando: o que há de errado comigo? Porque não posso deixar estar?
Finge que a vida é um carrossel e que seus giros se completam em instantes e tudo volta ao normal.
Vamos fingir para sempre, que de outra forma não podemos sobreviver, nem deixar estar.