Mostrando postagens com marcador cidade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cidade. Mostrar todas as postagens

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Carnaval cover

Carnaval? Desencana!
Deixei Helena em casa me esperando.
Que brincou e gritou e foi vestida pro show.
Quarta-feira sempre falta grana.


Carnaval, outro ano
Essa Helena me deixou sonhando
Mão no cão, pé no vão
E hoje nem lembra não
Quarta-feira sempre desce o pano

Era uma visão, um sonho bom
E uma vontade
De tomar o tom
De cada som pela cidade

No carnaval, esperança
Que gente longe viva a vizinhança
Que gente alegre possa encher a pança
Que gente linda volte a ser criança!

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Um dia.

Hoje às 6h40, ainda boiava entre lençóis e sonhos, quando tocou o interfone, insistentemente. Atendi, trôpega, achando que fosse a Mariana que cuida da arrumação. Tentava recordar o último sonho, que me ocorria aos fiapos, mas alguém no hall falou sobre vazamentos e consertos. Abri a porta para o encanador e o síndico que foram verificar o banheiro da Mariana. A vizinha do andar de baixo reclamara de uma tomada que saía àgua.
O diagnóstico: vamos precisar quebrar tudo. Perguntei sonada e infeliz: -"Agora?"
Não, avisaremos.
Depois que saíram joguei-me na cama para tentar recuperar o sonho e o bom humor. Mas o fiapo de recordações esvanescera. E compreendi que meu dia começara à revelia e que tinha que ir vivê-lo para que o mundo não se acabasse naquela tomada chorona. Comi uns biscoitinhos esfarelentos da padaria e fui trabalhar pela última vez nesta semana, naquela casa.  Todos os funcionários da minha sala serão deslocados para a nova unidade, que fica na rua de cima e que, lá nas alturas, tem um cenário deslumbrante. A não ser pela porção mais à esquerda da vista de quase 180 graus, onde uma favela insiste em florescer colorida e trágica, veem-se floresta, monumentos, mar e lagoa. É de tirar o fôlego. Sei que ali, jamais me sentirei sozinha, basta dar com os olhos no mundo para perceber o aconchego e o balanço da intrincada rede que move a cidade. Entretanto, ainda era manhã quando um vento sudeste veio cobrir de nuvens cinzentas e pesadas meu alento e como um quebra-luz entardeceu mais cedo.
Tratei de trabalhar com afinco e zelo mas sem paixão.