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terça-feira, 8 de maio de 2012

Desviver

Então... a gente confia quando precisa. Seja de apoio, de companheiro, de alguém que nos dê alento... Até para distrair enquanto a vida passa meio sem graça e sem parentela.
É, porque às vezes a vida vai levando a gente de um jeito bruto, meio erma, assim num deixar estar desiludido demais. O jeito é buscar nos outros, naqueles que não se conhece, mas que fazem viver se tornar engraçado, ou ridículo. No meio das risadas, criando fantasias, parece que passa mais leve este estado das coisas, este fim de mundo que é envelhecer sozinho, este fim da picada que é estar não estando, viver, desvivendo.

domingo, 15 de maio de 2011

Cafezinho

Esse meu jeito singular de ver o mundo, essa minha tensão de violino e meu gosto exacerbado pelo ácido, não poderiam mesmo render-me muitos amigos, nem muitas companhias que valessem.
Estou sempre desdenhando: " ora de que me servem essas pessoas todas, melhor estar quieta e só que desperdiçar-me com más companhias."
Bem sei que invejo quem se espalha por aí numa alegria incontida, a  papaguear com faceirice a torto e a direito. Decerto essas borboletinhas alegres terão bem mais histórias para contar que eu; às vezes falta-me o assunto.
Por outro lado, com tão pouco material para tricotar, acabo afiada e densa e transformo água fervente e um pouco de pó em um saboroso e perfumado cafezinho.
Aceita?