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domingo, 14 de agosto de 2011

Pais e filhos

Em busca de um pouco de pai, tratei de vestir-me de branco e fui com toda a faceirice beijá-lo como se beija o mais querido de todos os homens, mas ele tinha partido.
Ao encontrá-lo sozinho e quase triste por isso, animei seus instintos cobrando a minha parte do zelo, o conselho que era para mim e não para qualquer outro irmão.
Depois de tê-lo visto tantas vezes sóbrio, reconheço que esteve embriagado do amor por seus pares, o bebado ávido da luz que tantos procuraram quando viram Deus.
Caminha por aí meu prestimoso amigo, meu velho, conhecido pelas histórias de pescador que eu ouvia encantada pela centésima vez.
Caminha vezes sem conta pelo céu azul ou negro e nos encontre a todos na expectativa de abraçá-lo mais uma vez, ainda que seja mais tarde em nossas vidas, quando já formos nós os velhos e descarnados seres que partirão um dia para longe dos seus filhos.

domingo, 15 de maio de 2011

Cafezinho

Esse meu jeito singular de ver o mundo, essa minha tensão de violino e meu gosto exacerbado pelo ácido, não poderiam mesmo render-me muitos amigos, nem muitas companhias que valessem.
Estou sempre desdenhando: " ora de que me servem essas pessoas todas, melhor estar quieta e só que desperdiçar-me com más companhias."
Bem sei que invejo quem se espalha por aí numa alegria incontida, a  papaguear com faceirice a torto e a direito. Decerto essas borboletinhas alegres terão bem mais histórias para contar que eu; às vezes falta-me o assunto.
Por outro lado, com tão pouco material para tricotar, acabo afiada e densa e transformo água fervente e um pouco de pó em um saboroso e perfumado cafezinho.
Aceita?