Vai brincar lá embaixo, criatura! Ela abriu a porta da cozinha que dava para a comprida escada em direção ao pátio de cimento. O menino, de cócoras no chão da sala, media com uma régua um bezouro preto e zonzo. Tinha dúvidas se deveria incluir na medida as antenas e as patas. Diante de tal bezouro e respeitadas as proporções, ele era bem franzino e pálido. Ficaria horas ali observando o inseto e adivinhava o próximo giro ou a abertura das asas. Não queria ir brincar no pátio. Ali ficavam os lençóis impecavelmente brancos e fantasmagóricos a se agitarem nos varais. Também havia a cisterna, um ser desconhecido e perigosíssimo que se escondia sob a plataforma de madeira que cobria o murinho circular de cimento. Sempre que resolvia ir ao quintal procurar insetos ouvia a mãe dizer: cuidado com a cisterna! Ele passava longe e entre a curiosidade e o temor da entidade, a busca perdia o encanto. Preferia o chão encerado da sala e os ruídos costumeiros da rotina: a enceradeira, o frigir do bife, o cantarolar da mãe.
Amenidades
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sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
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