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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Fim do engodo

Não, o mundo não pode acabar!
Tenho que comprar aquelas tulipas e enfeitar minha sala, desde o século passado.
Tenho empréstimos a receber, amizades a reatar, algumas contas...
Plantei um pé de limão e uma bela mangueira e não vou poder comer seus frutos?
Não, ainda não, é cedo demais para nós.
Por exemplo, amanhã mesmo tenho uma "mega" festa, como não comparecer?
Vou vestir meus saltos e entrar bem elegante em meu vestido decotado.
E as joias? E as minhas joias? Se ainda não as usei, com medo de perdê-las...
O mar! Preciso pisar na areia e ir até as ondas, as ondas... E pular cada uma com fé!
Ainda não publiquei meus livros. Há tantos desejos...
Preciso ver Roma, rever Paris, gastar em Nova Iorque, ganhar em Las Vegas...
Espere aí, não vá se acabar agora!
Deixe comigo, que eu decido meu fim.


quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Deixa estar

Algumas pessoas elegantes ignoram desaforos; eu não sou elegante.
Frustram-me quando dizem que sou folgada, que nada faço da vida.
Fico remoendo, cozinho em fogo alto, mastigo desagradável e sofro.
Quem tem a ver com isso não se importa.
Queima meu coração o desastre de ser.
Ando um pouco triste, é verdade, mas é uma lástima ver a vida passar silenciosa e calma e gente nociva procurar  conflitos.
Quero ficar em paz, pode ser?
Não diga asneiras, vá vomitar seu ódio no banheiro público, que dejetos extravagantes vão chegar ao mar da mesma forma que as flores murchas e os párias desafogados.
Não importa seu sentimento e sua revolta.
Depois de um salto e do mergulho, deixo estar.