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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

A bela e a fera

Era uma figura escura, suja e sebenta. Usava muito cabelo em todo o corpo e cabeça e a barbicha do bode. As mãos gordinhas, unhas enormes à direita. Era baixo, bebia muito, fumava muito, comia demais e depois, meu Deus, chupava os dentes.
E ela, moça tão bonita e gentil apaixonou-se. Mas não por ele, por si mesma.
Quando se olhavam no espelho, prontos para a noite, era a bela que ela via. E o contraponto, tão horrível besta, só aumentava seu prazer em ver-se.
Mas desta fera não escapará. Ao revés da fantasia, a realidade desfigura o belo a cada instante, até que um corpo amorfo e indolente e as sombras do que foi nem se olham mais.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Johnny Depp

  Ontem encontrei pessoas bonitas. Comemorei e fui alegre, mesmo sem alcool. Comi chocolate sem culpas.

  Hoje fui cortar o cabelo e descobri que Jonhny Deep trabalha no salão! Ele esculpiu meu  cabelo, fez uma grande confusão com os fios: cortou aqui, aparou ali, secou e molhou e secou. Mudava de tesoura e lá vinha ele de novo: plict, plict. Eu olhava pelo espelho  e o vi com expressão severa, fixando com os olhos um pouquinho estrábicos,  sua obra de arte! Foi muito pitoresco e gostei do jeito desarrumado e da assimetria dos fios; assim, combina comigo. Por último ele secou meu  cabelo como se passasse chantilly sobre minha cabeça e fazia um biquinho atrás do cavanhaque e franzia a testa. O máximo! Saí de lá feliz da vida, renovada.