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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Brasilidade

Uma pitada de Espanha, um punhado de Escócia. São os temperos especiais da minha brasilidade.
Por um lado explosiva, por outro fleugmática, vou seguindo assim em lufadas, quando não estou dando um jeitinho brasileiro.
Minha pele branca e estrangeira, já encardida pelo sol e seus efeitos, tem manchas de todos os tons, das sardas brancas que se espalham pelas pernas até a pinta preta e redondinha no alto da coxa, que tem ares de ponto final.
Nessas idas e vindas tenho muito por fazer e pouco já realizado.
Mas espero que como o pessegueiro que ferido em suas raízes floresce e é pródigo em frutos uma vez ainda antes de morrer, eu  possa dizer para que vim e para onde vou, antes de fechar os trabalhos de viver.

domingo, 22 de agosto de 2010

Viagem de prazeres

A última vez que fui a São Paulo foi proveitosa. Aprendi novas receitas (que copiei depois de prová-las), conversei muito, abracei muito, caminhei e fiz novos amigos.
De volta ao Rio, depois de passar pela tristeza de perder meu gatinho que por 15 anos, foi presença constante e querida, senti uma atração aguda pelas coisas de comer. A tristeza e a saudade, de minha mãe, dos meus irmãos, da minha Martha e da Helena me fizeram sensível aos pormenores.
Saí cedo e fui ao supermercado. Comprei farinha integral, mel, um belo filé de salmão e por último passei no açougue.
"- Voce tem cupim?"  - e o rapaz de branco, máscara cirúrgica e luvas que seguravam um facão: - "De que tamanho?"
- "Pequeno de preferência, quero três!"  (Fazia parte da receita que o Thê me ensinou, preparar logo três pequenos.)
Ele fez uma careta e perguntou - " Cubinhos de que tamanho?"
-"Nãããão, cupiiiiimmmm~"  - e mostrei as minhas costas para ele saber que eu me referia à giba do boi.
-"Ah, não. Não trabalhamos com este tipo de carne." E virou as costas lisinhas para mim.
Fui embora constrangida, eu que já estava debulhando lágrimas por qualquer caixinha de fósforos.
Passei em outro supermercado e achei o cupim maturado na prateleira de carnes, bem do jeito que eu queria.
Em casa, temperei o peixe que assaria para o jantar e caprichei nos temperos dos cupins que ficaram marinando até o dia seguinte.
O salmão estava ótimo ainda mais com as torradinhas com creme de espinafre que fiz para acompanhar, trazendo o irmão querido e a mamãe  para a mesa, nessas duas receitas de colorido tão harmônico.
No dia seguinte, quando fui para a cozinha estava disposta como o aprendiz de feiticeiro.
Coloquei os cupins para selar e depois deixar cozinhar por 50 minutos na panela de pressão.
E resolvi fazer o bolo de banana, receita com ingredientes especiais que a Beré me deu : a farinha integral, o mel e eu não resisti, coloquei por minha conta um pouquinho de açucar mascavo. As bananas estavam no ponto: " Bem maduras!" Amassei com  displicência, misturei à massa e aí...dei uma guinada. Resolvi usar as formas de cupcake, um dos presentes que ganhei da Tata; e coloquei as forminhas de papel que a Luciana comprou em Uberaba para mim. Com uma colher enchi até a metade das forminhas e coloquei no forno. Em pouco tempo o cheiro doce dos bolinhos se misturava ao perfume da carne temperada cozinhando, ah eu me sentia literalmente em casa.
O melhor de tudo foi conseguir reunir no meu pequeno fogão, detalhes inesquecíveis de uma viagem cheia de prazeres.