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segunda-feira, 4 de junho de 2012

"Ausência de presença"

A manta do sofá guardava ainda a forma do corpo dela, hoje pela manhã. Pude vê-la aqui ao meu lado, a descansar sobre as almofadas e, muito moderna e encantada ler Machado em seu Kindle,
Peguei a coberta e desfiz a ilusão. Com uma chacoalhada pulverizei sua presença por toda a sala.
Micro bolhas multicoloridas pairaram no ar e depois se assentaram sobre os móveis, as frestas, as persianas...
Algumas eu fiz explodir com um toque, ao saborear um brigadeiro, tomar um Nespresso, ou caminhar na praia.
O dia está lindo, mais uma vez.
E sei que as microbolhas de presença que se espalharam por aqui vão nutrir meu cotidiano até a próxima vez.

domingo, 28 de agosto de 2011

Aviamentos

Onde me espetam, fico!
É aí que o conto Um Apólogo  do Machado de Assis  dá seu recado.
Quando era adolescente e li este texto, foi como se descobrisse o meu lugar no mundo.
Já li centenas de vezes e sempre me encanta.
Por que em um mundo de linhas e agulhas, ser uma ou outra é questão de temperamento.
E em uma caixinha de costura há lugar também para dedais, carretéis, fitinhas, massanamarias...
Não, não, nada disso. Caibo muito bem no papel de alfinete.
Somente com a ressalva de que quem me espeta onde quero ficar, sou eu mesma!