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terça-feira, 29 de janeiro de 2013

O berne da questão


É sempre assim!
Quando Helena vem "buscar fogo" no Rio - estilo bate e volta - ainda no vácuo de sua ausência, começo a procurar sarna para coçar.
Desta vez coincidiu com a tragédia em Santa Maria, e sei que todas as pessoas que têm filhos adultos jovens, começando a viver plenamente, se colocaram no lugar daquelas que perderam seus queridos.
Estive mais introspectiva e sensível; é quando começo a procurar.
Sofro pela lagartixinha sem o rabo que corre pela parede e se esconde atrás da gravura.
Investigo uma velha cicatriz no braço do Miguel, estaria a ferida se abrindo novamente?
Vou lá fora e chamo o cachorro. Vasculho cada centímetro de pele, limpo as orelhas com esmero, abro-lhe a boca: - ahhhhhh.
Cismo que se coça demais no pescoço. Agora está lambendo a pata que coçou o pescoço! Meu Deus, com certeza é berne!
Busco meu arsenal investigativo, raspo os pelos da região - a pele fica vermelha, escarificada e poreja micro gotículas de sangue.
Procuro a abertura por onde a larva respira e nada encontro. Cutuco, aperto, espremo, sinto que a pele está espessada!
Estou perdida. Começo a tratar assim mesmo, coitado.
Depois, exausta, venho aqui para o meu canto e choramingo um pouquinho de saudades.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Tocar as nuvens

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

São Bernardo

Hoje conheci um cão São Bernardo, filhote ainda mas imenso, que passeava feliz com o novo dono. É um dos inúmeros animais que foram abandonados ou perderam sua família nos desabamentos de Teresópolis. Um cão de uma raça utilizada para resgate de pessoas ser resgatado e amado assim faz a gente pensar. Dono e cachorro parecem  felizes, pelo menos por enquanto - o São Bernardo é muito grande e sofre muito com o calor do Rio de Janeiro. Há controvérsias mas já ouvi dizer que são  um pouco custosos para aprender comandos; outros criadores afirmam que são muito inteligentes e dóceis.  
Onde será que ele está morando agora? Em uma casa grande o suficiente para se exercitar, ou ter para onde ir enquanto cisma com as tempestades de neve da vida? Ou em um apartamento desses tantos prédios que temos na vizinhança onde ele ficaria enjaulado a olhar aborrecido pela janela? 
 Com aquela expressão afobada e rindo de orelha a orelha lá se foi o belo cão. Tentei encontrá-los de novo pelo condomínio, mas desapareceram. Será que sonhei?  Queria dizer ao dono - olha, não vá desistir desse colosso, hein? Ele vai dar muito trabalho, sempre tem problemas de pele e assim por diante.
Eu sei que lá no fundo o que eu queria mesmo era ter tido a sorte de poder adotá-lo.