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quarta-feira, 8 de agosto de 2012

O que partiu


Quem serão estes seres tão semelhantes, mas  desconhecidos, aqueles que reconhecemos ao sonhar e que se esfumaçam  ao acordarmos... São tão familiares que até dói saber que só existem nas sombras.
As pessoas próximas que nos fazem lembrar aquelas que não mais existem nos dão alento para continuar e ir.
O riso frouxo, a saciedade conquistada devagar, o gesto típico.
Quando todos vão embora e nada resta, sobra o cheiro de alma no quarto e um papel de bala atrás da cortina.
Uma isca, acho. Para aquela sombra  vir, curiosa, destrinchar o perfume que ficou ali. E a gente na expectativa de uma fisgada. 
Seria mágico capturar de novo qualquer momento vívido, qualquer lembrança doce que vivenciamos.
Haveria conforto e alguma lágrima.
Vontade de partir também para encontrar o que já partiu...
Mas... E se não houver encontro?

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Intenções

Saiu tristíssima da academia. A moça enrugada e escura que bateu de frente com ela embaralhou seus sentidos, misturou alimento com lixo orgânico. Porque para ela, as pessoas são todas boas e bem intencionadas. Com seu temperamento sensível e as gotinhas de ódio e inveja que viu brotar no olhar da outra, amassou-se como a um papel de rascunho que se joga fora. O dia todo ficou assim amarfanhado, os prazeres recolhidos, até mesmo os mais viscerais. A saciedade por exemplo, não a encontraria mais durante um bom tempo. Sentia uma inquietude e buscava o que? Onde?  Aonde?
Tarde da noite, enquanto o sono não vinha - outro prazer perdido - ponderou sobre o infortúnio de milhares de pessoas em situações muito mais críticas que um desamor pontual. Gente que nunca pode saciar-se. Gente que nunca dormiu justamente.
Era tão pequena, tão pequena e pouca.
Magoada, o coração franzido, tratou de pensar na vida tão boa que tinha. E já adormecia quando compreendeu que não foi ela quem perdeu, mas a pobre moça.