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segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Subir!


Acordei com vontade de carregar nas tintas e me lambuzar na fuzarca das cores. Lembrei-me das abelhinhas que eram atraídas pelo cheiro de mel da cera que utilizava para misturar com tinta óleo; e que ficavam a minha volta, admiradoras por tabela do meu trabalho. 
Tenho uma panela muito velha, que usava  para derreter a cera de abelhas e que, em seguida, colocava em uma embalagem de sorvete - sim, aquela embalagem prosaica - e ali misturava com a terebintina para produzir uma pasta espessa e homogênea. Helena se lembra da panela e dos sons que ao misturar, criava.
Schilep, schilep, schilep!
Depois era agregar os tons e viajar na criação.
Muita energia, muita energia boa. 
Também exorcizava uns demônios.
Tanto tempo depois, a lembrança é deliciosa.
Mas não adianta ir contra a maré, minhas cores agora são escritas.
Assim é viver. Existe um eixo em toda escada helicoidal.
Só nos resta subir e ocasionalmente olhar para baixo. 
Ou, como um alpinista, para cima!

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Tintas

Estou com as mãos sujas de tinta. Como é bom! Estou com frio também; um vento intransigente revolve os tapetes e as mantas. Esta combinação de tintas e frio lembra-me as inúmeras noites geladas que passava pintando em São Paulo. Noites inteiras, insone, num frenesi meio suicida, até acabar a pulsão e perceber que estava congelando. Levava uma hora para parar de tremer e ficar aquecida.
Os temas são outros aqui. A natureza é muito mais explícita e as minhas tintas saem amenas, menos impressionantes. As transições são mais elaboradas, as linhas mais suaves, o toque menos àspero. Tenho preferido trabalhar com as tintas a base de água, faz tempo deixei de lado a cera de abelha e o óleo de que gostava tanto.  É que  a natureza terá que digerir essas pinturas tão tóxicas... Mas o cheiro pungente, a companhia das abelhas e o tímido amanhecer daquela cidade deixaram suas marcas.
Atualmente amanheço aquecida e vivo sem pudores.
Bem, deve ter a ver também com a maturidade.