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terça-feira, 22 de setembro de 2009

Reciclagem

No sótão, ajoelhada em frente ao baú aberto, retiro vários objetos. Bem do fundo, pesco uma bolinha de gude feita de vidro reciclado.
Reconheço os riscos de viver, os vícios de morrer e os acidentes de percurso. E infelizmente, reconheço que não sou reciclável. Faço parte do lixo orgânico, vou ser desprezada. Tendo a virar adubo, mas não serei petróleo. Sou descartável, espécie em risco de extinção.
O vidro é infinitamente reciclável. Basta derretê-lo, dar-lhe nova forma e resfriá-lo.
Assim, mesmo que se quebre, não se acaba como eu.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Bolinhas de gude

Tocaram a campainha. Fui abrir, eram meninos vendendo bolinhas de gude para um trabalho do colégio. Caras de pau! Mas achei bonitinho estarem se virando, comprei logo quatro. Caras as bolinhas, cinquenta centavos cada. Todas idênticas e das mais comuns, vidro verde cheio de bolhazinhas. Guardei numa gaveta qualquer, fui fazer o almoço. Hoje de manhã havia mais uma bolinha verde depositada no vaso ao lado da porta, onde tem uma placa "cuidado com o cão".
Talvez não tenham achado outros compradores de bolinha de gude. Mas pode ser também que eles tenham me presenteado pela minha bondade.