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terça-feira, 11 de maio de 2010

Perdi a coragem

Onde foi que deixei minha coragem?
Ontem quando fui dormir coloquei-a sobre o criado como faço todas as noites, porque o medo é essência do sonho e deve expressar-se livremente.
Acordei com frio, vesti a coragem e um roupão quentinho e fui tomar café.
Depois saí para uma corrida e senti falta dela...
Será que ficou no bolso do roupão? E se deixei em cima da mesa quando fui abrir a porta?
Não, troquei de roupa, vesti um moleton e ela ainda estava comigo.
Só falta ter deixado cair pelo caminho! Nunca mais vou encontrá-la.
Já aconteceu de roubarem coragens aqui no condomínio...e cruzei com uma mulher de uns 60 anos muito suspeita. Ela vestia uma roupa preta, um vestido de malha com barra desigual e decote canoa. Foi com inquietação que percebi que era um tanto dissimulada atrás dos óculos de Jaqueline. E  então ela abriu um sorriso franco, impróprio até, quando passou por mim...
E seus sapatos cinzentos de salto agulha, toctocando pelo caminho?
Nem pude perguntar quem era ela....foi aí que minha corgem me fez falta. 

domingo, 15 de novembro de 2009

O fim do mundo

É o fim do mundo!
Quantas vezes já disse isso, tão àtoa, blasfemando quase?
Se vemos crianças magras e barrigudas, ao presenciarmos o desrespeito por idosos, deficientes ou animais, quando chove demais ou de menos, se criam um muro que divide uma cidade, quando espancam uma blogueira entusiasmada...
É uma expressão tão cotidiana quanto: "vamos almoçar?"
Mas se for para pensar bem, com todas as letras: É o fim do mundo!
Isso é muito intenso!
Fui ao cinema, passar o tempo e assistir ao 2012.
Efeitos visuais fantásticos, muito barulho, o ufanismo americano em sua mais larga escala e algumas cenas absurdas na concepção do Miguel, um grande estudioso de assuntos cósmicos e geológicos. (Aliás ele já pensou seriamente em ser de geólogo a ginecologista.)
Confesso que sinto muita tristeza e angústia quando assisto aos programas que tratam do fim dos tempos, do Big Bang, ou da morte dos dinossauros, sobre buracos negros, ou meteoros se aproximando...
O Miguel adora estes assuntos siderais, além de ter uma memória tão fantástica que às vezes até penso: Este cara é o fim do mundo mesmo!
Mas, saí do cinema aliviada, que bobagem!
Sentir-me ínfima, um cisquinho invisível no universo infinito, deixa-me melancólica, sem esperanças. Mas o que me assusta mesmo é pensar que pode doer, meu Deus, que posso passar horas debaixo de escombros, que posso ser queimada viva... estou sempre torcendo por uma morte rápida e indolor, destino dos justos, dizem.
Mas não precisa ser o fim do mundo para qualquer desses eventos me afligirem.
Posso estar no próximo avião que cair, certo?
Assim mesmo, quando estou muito aflita, gosto de conversar com pessoas sérias e fortes, com boa capacidade de argumentação.
E neste sentido, conversando com meu cunhado Edmur e dizendo que não queria estar viva para presenciar o fim do mundo, ele respondeu dando de ombros: "Por que não, se for um grande espetáculo?
Adorei!


sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Primavera

Chuva e frio na baía da Guanabara.
Estranha primavera.
Há flores sim, por toda parte, há flores lindas.
Meus vasos transbordam orquídeas, lírios, rosas.
Estranha chuva, estranho frio. Há uma inquietude, "o que se passa".
Observe com algum afastamento no tempo e no espaço; veja que estamos indo e é inevitável.
As explicações para os eventos do mundo constatam as mudanças, mas não trazem diretrizes.
Os buracos negros que cavamos na terra cobram a energia dissipada.
O buraco negro cósmico mais próximo nos dirige sua mirada, ele nos aguarda.
Hipnotizados, pequeninos, só sentimos o frio estranho, a estranha falta de entropia.
Enquanto isso, o Barack Obama ganha o Nobel da paz!

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Linhagem

A sua expressão quer perguntar: O que se passa comigo?
Ele não sabe. Espero que não perceba. Espero que amenize o tom, mesmo que demore um pouco.
Nunca entenderá o motivo de ter ficado mais calmo e mais feliz, sem inquietações existenciais.
Mas nós, aqui em casa, sabemos e estamos tristes.
Vamos nos consolar e isso será o suficiente.
Toda uma linhagem silencia.