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terça-feira, 20 de outubro de 2009

Argentês

Era argentino no Brasil, paciente em um hospital e sentia muita dor.
Palidez e suores substituíam, na pele, o sal e o sol da praia.
Estava confuso, inquieto e sozinho, compreendia mal o português, além de estar um pouco surdo pela dor.
Foi levado às pressas para exames de emergência, talvez precisasse de um cateterismo; acabou encaminhado para a sala gelada do exame.
O médico vestido como um cirurgião, com máscara e gorro e óculos, além de tudo falava para dentro. Ele não compreendia.
O médico achou melhor chamar alguém que pudesse facilitar a comunicação.
Saiu da sala e perguntou se alguém sabia falar espanhol.
Um estudante novinho, muito solícito, levantou-se rapidamente e acompanhou o médico.
Em um momento do exame disse ao rapaz que pedisse ao paciente para respirar fundo.
E ouviu o poliglota dizer:
" espire undo"!

segunda-feira, 20 de abril de 2009

meiairelpiú?

Não, não, sou daqui mesmo, do Brasil, mineira de Uberaba. O sotaque estranho é uma mistura de sotaques de Minas, São Paulo e Rio de Janeiro. Quase uma nova lingua. Dezoito anos em um, vinte no outro e, bem estou vivendo aqui no Rio faz pelo menos uma década.
Sempre me perguntam isso, se sou italiana, francesa, americana. Não sei se é meu pescoço comprido, se é minha postura ou meu tamanho.
Teve um dia que íamos almoçar fora, Miguel e eu. Tínhamos colocado nosso nome na lista, longa lista de espera. Mas depois de duas horas fui lá conferir. E o maitre, todo empostado perguntou: meiairelpiú?
Pois é. Fiquei sem graça e do mesmo jeito que entrei, saí. Sem abrir o bico. Fiquei com vergonha por ele e por mim. Afinal, em que língua eu deveria ter respondido?