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terça-feira, 13 de setembro de 2011

International Space Station

O Fausto, meu irmão e a Maria Lúcia tem dois filhos incríveis. Estão a meio caminho entre a infância e a adolescência mas sempre estiveram em cima dos cascos! São muito bem informados, falam um português corretíssimo e tem argumentos e pontos de vista mais centrados que de muitos adultos que conheço. 
Bem, da última vez que estive em Uberaba, fomos convidados para ir fazer um lanche na casa deles. Impreterivelmente as quinze para as oito!  Lá estávamos, pontualmente: Renata, Ian, mamãe, a Nanda e eu. 
Havia sobre a mesa na varanda, velas de citronela, uma planta belíssima  e em minutos chegou para nosso deleite uma berinjela assada com temperos únicos, uma delícia mesmo. Comíamos com pão árabe e bebíamos uma cerveja especial; um momento encantador da viagem.
Mas ainda não era tudo. As 8 horas, fomos todos convidados para ver passar pelo céu (um pouco nublado para tristeza de nossos anfitriões), a ISS (International Space Station) que iria atravessar o firmamento, bem acima de nós.
Então, no escuro, no pátio em frente à piscina, somente com as velas de citronela acesas na varanda, ficamos todos observando, à espera da passagem ilustre. Foi um momento tão mágico que queria repartir com o mundo todo, lembrava de todas as pessoas que adorariam estar ali, naquele momento tão íntimo e ao mesmo tempo tão universal.
E aos gritos comemorávamos sempre que ela aparecia entre as nuvens: ah lááááá´! 
E de repente: Ali! Opa, desculpem - era só uma estrela...
Foi lindo, coroou minha viagem, nunca mais vou esquecer.
Pedi ao Fausto que me avisasse sempre que a ISS fosse passar pelos céus cariocas para eu poder compartilhar com o Miguel que certamente adoraria.
Ontem, ele ligou: Como está o céu aí hoje?
E eu desolada disse: Nublado, tempo fechado e chuvoso, nuvens que se tocam com as mãos...que tristeza...
Mas mais triste mesmo foi acordar hoje de manhã e ver, como em noventa por cento dos dias aqui no Rio, um céu azul, de Brigadeiro!

domingo, 17 de julho de 2011

Lobo mau

Voltei para casa!
Todos os móveis conhecem minhas curvas, nada de chutar o pé da cadeira ou bater no vidro da porta da varanda.
Também trouxe de lá uma mancha roxa no quadril que consegui sustentando minha tralha pesadíssima a alguns centímetros do chão. Não queria macular o granito da sala com as rodinhas da mala.
Voltei para casa um pouco mais rica, com mais experiências compartilhadas e rememoradas em meio a muita risada.
Tenho novas formas de minicup cakes e lindas  forminhas de papel decorado que dá até dó  usar.
Quero escolher a melhor receita, fazê-los com amor e torná-los pérolas comestíveis.
O tempo em Uberaba é traidor, quanto mais cedo levanto mais rápido ele passa.
Decidi tratar o tempo com respeito, este senhor lobo mau que nos engana e pune.
Vimos juntos fitas em VHS, dos anos 80, quando a inflação subia por hora e mesmo assim pudemos ser tão felizes às vezes. Aliás muitas vezes.
É o tempo, esse trapaceiro, que faz a gente esquecer muitos dos bons momentos.
Mas deixa estar, a gente resgata tudo nas férias.
E tratamos de resgatar os bons, só os bons cabem nas horas que temos.
Cada um faz sua edição das histórias; e as lembranças se misturam em uma teia de aranha complexa.
Mas o melhor que há, mesmo, é a alegria do reencontro, os abraços tão apertados e a cesta de doces e bolos com que a mãe da Chapeuzinho nos brinda a cada encontro.

domingo, 4 de outubro de 2009

Semelhanças

Comecei a faculdade de medicina em Uberaba em 1977, antes de casar e mudar para São Paulo. Fiz várias amizades nesses dois primeiros anos em que as matérias e os ambientes da faculdade são tensos - Anatomia, microcópio, provas práticas, gincanas.
Atualmente é ocasional que eu ouça falar de algum colega daquela época.
A Helena se forma este ano na ESPM em São Paulo. Desde o primeiro ano, tem uma amiga muito querida, que nasceu em Uberaba, como eu. Como se não bastasse a coincidencia, o pai dela foi meu colega naqueles dois anos de medicina.
Não sei onde ela aprendeu a lutar... no meu tempo a única academia de artes marciais de Uberaba era o Gaona, onde meus irmãos treinaram judô.
Gabi é muito sensível, mas sabe que tem "a força" e assim navega ao sabor das ondas, entre investidas intimidantes e recolhimento cauteloso.
Há uns meses foi de metrô até a rodoviária de São Paulo comprar passagem. Distraiu-se na viagem e no susto acabou descendo uma estação antes do terminal rodoviário.
Decidiu ir a pé. Isso parece tanto comigo que até dá aflição. Errar a estação e ir a pé? Mas essa sou eu!!
Ela é uma menina, parece recém saída da adolescência, puxa, ninguém vai acreditar.
Mas, olha, desta vez não estou inventando. Ela é de verdade e é maluquinha. Foi assaltada enquanto caminhava e reagiu, - "larga minha mochila, você não vai me roubar!" e o ladrãozinho, que tinha um canivete, levou uns bons sopapos e ela se feriu nas mãos.
Não sei quanto tempo depois ela tocou a campainha do apartamento de Helena. Machucada, magoada e assustada, depois de um tempo de conversa, concordou que talvez não devesse ter reagido.
Helena cuidou daquela figurinha fragilizada e depois me contou.
Eu fiquei ouvindo e cada cena era tão familiar... Nunca aprendi a lutar mas tenho um pequeno samurai aqui dentro e sempre acho que posso tudo. Também desmonto às vezes e em outras, adoeço.
E agora fico aqui pensando, porque será que entre tantos colegas de faculdade, a Helena foi encontrar na Gabriela uma de suas melhores amigas?

segunda-feira, 20 de abril de 2009

meiairelpiú?

Não, não, sou daqui mesmo, do Brasil, mineira de Uberaba. O sotaque estranho é uma mistura de sotaques de Minas, São Paulo e Rio de Janeiro. Quase uma nova lingua. Dezoito anos em um, vinte no outro e, bem estou vivendo aqui no Rio faz pelo menos uma década.
Sempre me perguntam isso, se sou italiana, francesa, americana. Não sei se é meu pescoço comprido, se é minha postura ou meu tamanho.
Teve um dia que íamos almoçar fora, Miguel e eu. Tínhamos colocado nosso nome na lista, longa lista de espera. Mas depois de duas horas fui lá conferir. E o maitre, todo empostado perguntou: meiairelpiú?
Pois é. Fiquei sem graça e do mesmo jeito que entrei, saí. Sem abrir o bico. Fiquei com vergonha por ele e por mim. Afinal, em que língua eu deveria ter respondido?