No meu pinheiro, em frente a minha janela, vejo um farfalhar de galhos, alguma agitação que não combina com o vento. O cachorro vai às vezes até lá perto e olha para cima, muito concentrado. Investigando, descobri um ninho lá no alto. Não sei quem são mas ficaram logo à vontade para estabelecer moradia. Aliás, há muitos visitantes por aqui. Rolinhas, beija-flores, canários, sabiás. Mas no pinheiro é a primeira vez. Desconfio que seja por causa da buganvilia que foi plantada ali perto e floresceu recentemente.
Saudades do Juca, meu canarinho tão festivo, cantava com o biquinho aberto, o papo tremulando, virava a cabeça de um lado para outro, pura beleza e alegria.
Lembro-me da varanda de minha mãe onde há uma bandeja com frutas que são trocadas diariamente. É assim que ela convida os pássaros para sua companhia. Bom seria o mundo se todos fossem assim gentis e bem intencionados.
Decidi colocar aqui, numa altura segura, uma cumbuca com grãos para os meus convidados. Já escolhi a posição e posso vê-los aqui do meu canto.
Receber companheiros, fazer amizades, lembrar dos que já se foram.
Preciso muito de um grupo de cantores para multiplicar felicidades.