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sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Estação

Mudamos de estação, você percebeu?
Tudo continua igual, será que mudamos mesmo?
Ontem a noite houve  um vento forte que derrubou telhas e muitas flores.
Mas as flores das  buganvílias são ainda  belas caídas cobrindo a grama.
Anime-se, vem chegando a primavera, disseram-me alguns.
Continuo invernal... Estou descompassada.
Mas tenho a impressão de que as flores que precisam cair de mim serão podadas amanhã pelo jardineiro.
Depois vou brotar inteiramente pela força da nova estação.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Os pássaros

Sabe, Irina, meu lindo comedouro de pássaros não vingou.
Tentei de tudo.
Mudei de lugar, da luz intensa para a sombra e ainda para a penumbra...
Onde havia vento, e onde não havia.
Prendi em galhos, na parede, debaixo de um ninho de rolinhas, no telhado da varanda.
Ofereci banquetes: de frutas: papaia, laranja, manga, uvas; de grãos:  alpiste, arroz, gergelim, erva doce  e painço, além de papinhas e rações de todo tipo.
Nada...
Só formigas e abelhas.
Desisti. O comedouro está agora debaixo do pé de buganvilias vermelhas; dentro dele dois vasinhos de violetas.
O arranjo ficou bonito, mas nada de pássaros.
Enfim concluí, eles já estão por toda a parte. Meu jardim é cheio de flores. A terra é fértil de bichinhos apetitosos. Porque haveriam de ser atraídos pelo comedouro, tão artificial, se a natureza em torno é puro esbanjamento?
Estou sossegada agora. Um arisco colibri veio beijar a rosa, depois passou zunindo de volta ao galho de hibisco. 
E um bem-te-vi barulhento me espiou pousado no pinheiro ao lado dos brincos de princesa.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Pássaros

No meu pinheiro, em frente a minha janela, vejo um farfalhar de galhos, alguma agitação que não combina com o vento. O cachorro vai às vezes até lá perto e olha para cima, muito concentrado. Investigando, descobri um ninho lá no alto. Não sei quem são mas ficaram logo à vontade para estabelecer moradia. Aliás, há muitos visitantes por aqui. Rolinhas, beija-flores, canários, sabiás.  Mas no pinheiro é a primeira vez. Desconfio que seja por causa da buganvilia que foi plantada ali perto e floresceu recentemente.
Saudades do Juca, meu canarinho tão festivo, cantava com o biquinho aberto, o papo tremulando, virava a cabeça de um lado para outro, pura beleza e alegria.
Lembro-me da varanda de minha mãe onde há uma bandeja com frutas que são trocadas diariamente. É assim que ela convida os pássaros para sua companhia. Bom seria o mundo se todos fossem assim gentis e bem intencionados.
Decidi colocar aqui,  numa altura segura, uma cumbuca com grãos para os meus convidados. Já escolhi a posição e posso vê-los aqui do meu canto.
Receber companheiros, fazer amizades, lembrar dos que já se foram.
Preciso muito de um grupo de cantores para multiplicar felicidades.