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terça-feira, 8 de novembro de 2011

Família típica

Mudou-se para a casa em frente a nossa, uma família típica. O casal e um casal de filhos na pré adolescência. Possuem uma cachorrinha, uma daschund  enfezada, que vive escapando pelo portão e corre pela rua. Outro dia na hora de jogar o lixo fora, por pouco ela não entrou aqui dentro e vocês sabem, tenho um cachorrão bravo.
Em nossa nova rotina, olhamos duas vezes para ver se ela não está solta ou se o Haus não está com a cara preta na abertura do portão.
Temo por ela...
Mas a menina é muito engraçadinha, fez amizade com a outra garota, que mudou-se recentemente para a casa ao lado e brincam de boneca nas duas árvores grandes do jardim em frente.
Elas usam um balanço improvisado, uma escadinha, um banco que serve de mesinha e muitos panos cor de rosa.
Sempre que passo em frente confiro as novidades. Novos paninhos, uma amarração diferente, um lenço...
Saudades dos tempos de boneca com a Helena.
Apesar de o mundo estar cada vez mais violento, ver essas brincadeiras de criança trazem a nostalgia, remetem ao tempo que não volta mais.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Vida de cachorro

Tenho um péssimo hábito. Vivo para beliscar. Nem que seja um talinho de aipo, preciso ter certeza de que alguma coisa comestível está me aguardando para os lados da cozinha. Bebericar então é uma necessidade. Felizmente posso beber chás de todos os tipos sem açúcar ou adoçante; e café, também puro.
A nutricionista ensinou: Coma de três em três horas e não pule as refeições. Então, tá! De três em três faço refeições e nas outras horas belisco. Hoje compreendi com clareza este vício animal. É que meu cachorro, que fica com a cara apoiada na soleira da porta, olha para mim vivamente cada vez que venho da cozinha. Que  nada, ele olha fixamente para as minhas mãos!!! E o mais incrível: se venho do quarto ele fica impassível, bochechas escoradas. É fácil treinar um cachorro. Basta ir fazendo o que ele quer. Atualmente, como não passeamos mais pelo condomínio, a vidinha dele é bem medíocre. Acorda, comida. Deita. Carinho do patrão. Bochecha na soleira. Carinho da patroa saindo para correr. Bochecha na soleira. Patroa de volta. Rabinho a mil. Levanta e espera que eu volte da cozinha. Come o pedaço de banana. Eu também. Bochecha na soleira. Cochila. Sonha e uiva. Haus?! Ele acorda. Olha para minhas mãos. Vazias. Bochecha na soleira. Volto do quarto, ele nem tchum. Venho pro computador. Ele dorme de novo. Acorda e vai até ao portão. Lata, late, late com algum vizinho besta que vem atiçar a fera. Brigo com ele. Ele pára de latir, dá uma mijadinha na roseira, suspira e volta pro travesseiro-soleira. Venho da copa e ele boca um bago de uva. Volto pro computador. Confiro meus emails, escrevo um pouco, visito meus sites preferidos, tomo uma coca-cola e vejo que o tempo está mudando. Para o cachorro tanto faz o tempo. Vou de novo até a cozinha, abro a geladeira, vasculho, droga, preciso parar de comer toda hora. Volto contrariada. O cachorro olha fixamente para minhas mãos e constata. Nada dessa vez. Espreguiça, volta pro cochilo, agora de barriga para cima, patas ao léu. Não resisto e vou até lá fazer carinho e falar com ele. Depois sob protestos caninos, levanto e vou lavar as mãos e de novo passo pela cozinha. Desta vez um pedaço de queijo. Venho comendo e jogo para ele dois pedaços pequenos, só para vê-lo tentar pegar os dois ao mesmo tempo. Dou risada. Ele cata o que caiu e come com prazer. Na próxima pausa vou comer um pedacinho de chocolate. Ele vai olhar com esperança para minha mão e me acompanhar até  eu passar em frente a porta e continuar em direção ao sofá.. Ele tira os olhos de mim e volta a cochilar. 
Esse cachorro tá gordo...
Nesta minha vez de suspirar concordo com tristeza com o poeta:
Eta vida besta, meu Deus!

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Vigilante

Em um fim de semana, Miguel e eu fomos ao cinema no fim da tarde e depois ficamos passeando pelo shopping.
Já era noite quando chegamos em casa e nos demos conta de que não tínhamos levado a chave do portão.
Enquanto pensávamos em chamar um chaveiro e todas as implicações incluídas, resolvi tentar pular o muro que tem pelo menos uns dois metros. Usei nossa lixeira enorme encostada no paredão, o Miguel fez uma escadinha com as mãos, eu tomei impulso, subi na lixeira e olhei para dentro do jardim.
Nossa, era muito alto. Achei que não conseguiria impulsionar o corpo para cima mas resolvi tentar já que ando malhando bastante. Não é que consegui de primeira?
Mas a parte mais difícil era saber se o Haus sabia quem estava ali. Estávamos bastante seguros, ele sabe que estamos chegando quando ainda estamos na esquina, mas mesmo assim deu medo.
"-Haus?  Haus???"
E lá veio o bezerrão, língua rosa pra fora e aquele sorrisão cheio de  dentes. Quando me viu de cavalinho no muro virou a cabeçorra de lado, como fazem os cachorros quando não compreendem.
Deve ter pensado no que eu estava fazendo no lugar onde ficam as presas? Gatos e Gambás?
Conversei bastante com ele que mantinha a testa franzida até me lembrar que o melhor sentido do cachorro é o faro.
Joguei meus sapatos para ele cheirar e ele gostou da brincadeira e já ia indo carregando o troféu pro canil.
E eu, bem depressa pulei o muro e no jardim já fui chamando:
-Haus, aqui Haus!!
Decidimos, Miguel e eu, colocar uma chave do portão junto com a chave do carro.