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quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Pijama


Quando abriu os olhos e viu o teto manchado com as nódoas da última chuva, virou para o lado e quis adormecer outra vez. Mas o sono... O sono já se fora para fora do quarto, pela janela. Sem muita alternativa, a cama agora quente e amarfanhados os lençóis, levantou-se e foi até a sala atrás de... O que mesmo tinha ido buscar ali? Coçou a cabeça, prendeu o cabelo em um nó e foi lavar o rosto e se arrumar para a rotina do dia.
Uma pena precisar trocar o confortável pijama por sapatos de salto e batom...



sexta-feira, 31 de julho de 2009

Uma bolsa triste

Chove no paraíso tropical. Faz frio também. O gato e eu esperamos a chuva acabar de chover. Olhamos pela janela, as mãos no queixo, os cotovelos no parapeito. Enquanto isso caraminholas brotam, emergem, do fundo falso da minha bolsa. Olho para dentro e o espaço vazio está cheio de pequenos pulgões e traças. Alguns vermezinhos brancos e molengas deslizam entre fios de algodão. Alcanço algo macio e descubro que é um bem- casado esquecido depois de um casamento bêbado. Uma mancha escura com cheiro de chocolate lembra-me que comprei toblerones na última viagem. Um pedaço de fita do senhor do Bonfim era o desejo de ter algo que despedaçou. Um batom vermelho meio torto, salpicado de fumo de cigarros amassados pela pressa, também estão lá. (Só as pessoas que já carregaram maço de cigarro e batom sem tampa na bolsa conhecem essa imagem.) Ahn, também encontro uma lente gelatinosa da minha filha, ressecada e opaca. E uns pelos de gato amarelo, muito antigos, um gato que já morreu...
Cá entre nós, ainda bem que este fundo era falso.
Vou deixar isso pra lá e sair pra comprar uma bolsa nova, com cheiro de novidades.