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segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

"Solaridade"


Quando amanheceu nublado, imaginei que o melhor seria fechar as cortinas e nublar também debaixo das cobertas. Acontece que tinha muito que fazer, entre outras coisas tratar de soprar as nuvens, desanuviar.
Mãos às obras!
Abri as portas, tratei do cachorro, revolvi a terra sob a buganvília e o beijo.
Fiz as contas, combinei com a cozinheira o cardápio de hoje e de amanhã e fui ao supermercado  buscar o que faltava.
A chuva de verão, torrencial e rápida,  alertou-me para os riscos de ficar ilhada naquela atmosfera agressiva.
Foi só um susto. Como quando vemos de relance o que não há; e em seguida compreendemos a realidade.
Ufa! 
Saí do carro em pleno temporal e cobri a cabeça com as sacolas retornáveis que sempre trago comigo. Lembrei-me de uma cena muito comovente, de um macaco em plena selva que utilizava  folhas de palmeira para proteger a cabeça da chuva na floresta.
Fiz minhas compras, e quando voltei para o estacionamento, havia sol!

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Coordenação motora

-Haus?!
Ele vem correndo.
-Senta!
Ele senta prontamente.
Na mão esquerda seguro uma uva (ele adora!)
Na mão direita seguro o colírio, já pronto para ser  instilado.
-Olha!
Ele olha para a uva e espera.
Quando aproximo o colírio para deixar a gota cair no olho ele fecha - só o  esquerdo, o doente.
Quando finalmente consigo acertar a gota no lugar certo, digo ok e jogo a uva para ele.
Ele come com prazer. Depois de um minuto, tudo outra vez! E assim por diante por cinco minutos.
E toda a sequencia de novo mais duas vezes durante cada dia.
As vezes, acostumado a pegar o petisco no ar, ele engole a gota! E eu quase que pingo a uva!
Céus!
E eu que achava que era mais fácil ter um cachorro do que um filho?

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Ração, please!

Ora veja, estava deitado sobre o carpetezinho verde, pequeno demais para ele.
A cara apoiada na soleira da porta.
- Voce não esqueceu de nada?
 Olhei para ele de novo.
- Coitado!
Fui depressa para a cozinha e depois para a área de serviço.
Chovia pesado.
Enxuguei a vasilha, peguei uma medida da ração e coloquei no chão da varanda da frente onde não chove. Ele comeu tudo calmo e feliz. Depois, de sobremesa um caroço de manga que em instantes ficou com os cabelinhos brancos.
Eta, cachorrão, grande e doce assim é impossível esquecer de você por muito tempo.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

É ficção

Fale comigo. Estou na maior aflição.
O cachorro, antes feliz e balouçante anda pelos cantos, passa mal. Está com a cara no chão, enjoado e as vezes vomita, uma gosma com grama que ele come para vomitar. Como o bicho sabe? Se comer grama vomito, ele raciocina. Muito antes das bulímicas os cães já se tratavam. Ele está com sobrepeso, será que bulímico? Somente quando o dono chega abana o cotoco, numa semialegria, num bafejo de saúde.  Grande e soberano do quintal, corre sacolejando as gorduras e as dobraduras da cara. Quando pára, parece estátua, daquelas de pedestal, não fosse a cor tão viva, preta e caramelo, cismaria que morto e  embalsamado.  Hoje está abatido ou foi abatido por alguma doença aguda que ainda não se manifesta completamente. Preocupação. Será que deram veneno? Por que já jogaram raticida aqui no jardim, lembra? Será que comeu plástico ou papel de embrulho das festas ou um osso de frango, um calango de jardim? Pode ser uma infecção e agora e agora?
Eu estou passando mal, vou ver se ele ainda passa mal e voce faça o favor de me telefonar.