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terça-feira, 13 de outubro de 2009

Os cantos do quarto

Quando sair, deixe a janela e a porta abertas para o ar circular e acordar o quarto.
Porque os quartos também dormem, às vezes até sonham e às vezes sentem dores. Cada parede tem uma cor secreta, só pessoas muito íntimas sabem quais são. Nos cantinhos tridimensionais das paredes e teto e chão, estão escritas as indicações básicas: Este lado para baixo. Ou, cuidado, frágil. Empilhamento máximo - dez.
Muita gente nunca viu estes cantinhos. Só a faxineira passa a vassoura ou o espanador e ela nem presta atenção, que seus devaneios a levam para o próprio quarto.
As aranhas adoram construir suas teias nestes cantos; eles ficam ainda mais misteriosos. As paredes tem um sistema de drenagem que passa pelos cantos. Se entopem, há uma congestão tão aguda que dá calafrios.
Algumas pessoas nem ligam, vão embora trabalhar e quando voltam para dormir o quarto está azulado de desconforto.
Portanto, respeite as dores do quarto. Entre devagar e respire fundo. E trate de desobstruir o encanamento e repare bem nos cantinhos.
Esta pode ser a diferença entre ser feliz ou não.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Reminiscências...

Opera, ópera. Mavioso canto, transformador. Onde estava antes de ouvir tanta beleza. Onde estarão todas as minhas emoções. Em que velha mala guardei tudo que experimentei e que são lembranças tão apagadas, aquarelas antigas. Como pude sofrer tanto, por tanto tempo e por quase nada. Coração cheio de lástima, silêncio... escute apenas.
Brincadeira de criança essa de sentar na calçada, roer as unhas e mastigar capim, displicentemente. E depois ficar com medo de contrair câncer. Medo de ficar banguela, de cair da pinguela da rua da minha avó. Lobos maus babando, olhos vermelhos terríveis, não me deixe cair, acorde, acorde.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Juca

Juca sempre foi meu favorito. Cantava trepidando o papinho, biquinho fechado, apontando para o alto. Ouvi-lo fazia acreditar no futuro, ter esperanças. Ele teve um filhote com a Lea, que também cantava bastante, se desafiavam no canto, pai e filho.
Um dia veio um gavião. E acabou com a cantoria do Juca e do Junin. Uma pena...

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Somos oito


Somos oito.
Muitas vezes é demais da conta; muitas outras vezes parece tão pouco...
Temos o mesmo prazer com a música e desafinamos ocasionalmente, mas sabemos disso.
Podemos ser melancólicos, atrevidos, ranzinzas, engraçados, tudo ao mesmo tempo, ingredientes de um delicioso bolo branco e fofo, coberto de muitos suspiros.
Falamos alto, muito alto e quando juntos, somos um bando de maritacas, Cecis donas da própria vida.
Sonhamos enriquecer para repartir, acreditamos na recompensa pelo trabalho, mesmo que a "vida marvada" diga que não.
Na última vez que nos abraçamos, na casa da mamãe, cantamos todas as canções habituais dos nossos saraus, mas não cantamos o menino da porteira. O menino da porteira já morreu e sentimos tanta falta...
Todos temos animais de estimação, gatos ou cães. Sabemos como dói perdê-los, mas mesmo assim queremos mais um.
Só uma não teve filhos, mas adotou toda a família. Junto com a mamãe é nossa mãe também.
Cada um seguiu seu caminho, agregou-se a outras famílias, tornou-se uma outra mistura. Assim, idéias diferentes entram na roda; e na ciranda, às vezes as mãos se perdem, para em seguida se acharem. Imaginem uma casa cheia de gente, nós e nossas crianças em quem nos reconhecemos nos detalhes. É muito bom.
O que sei é que juntos somos lindos, felizes à beça. E falamos e cantamos e falamos mais um pouco.