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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Sinuca

Depois do café da manhã costumo deixar a toalha sobre a mesa e seus farelos de pão. Sem perceber, enquanto converso, dobro o tecido sobre as minhas migalhas como fazia meu pai. Quando me lembro dele e dói muito a saudade faço bolinhas de miolo caso algum passarinho venha. 
Aos nossos hábitos, esses pormenores que o outro percebe mais que a gente e que nos definem, somam-se posturas e atitudes singulares daqueles que amamos e tanto quanto o DNA apontam nossa ascendência. É assim que como bolas de sinuca nos tocamos, nos chocamos e batemos e nos afastamos, até que todos encontrem sua caçapa de direito. Repare como muitas vezes há duas ou três bolas em um mesmo buraco enquanto outro permanece vazio. O ambiente e o acaso são responsáveis por esta variação. Cá entre nós, estou certa de que se fosse possível optar estaríamos todos juntos no mesmo lugar.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Memória

Que estranhos caminhos estes da memória...
Para os fatos que  recordo, existem versões contrastantes por pessoas que também participaram ou ouviram falar, são muitos os fios que conduzem ao mesmo "grand finale".
Minha cabeça e as associações que faço, inventam uma nova história, a minha história.
Algumas lembranças, tênues, apagadas, retornam vivamente se comentam ou relembram.
É que nossa grande família gera um emaranhado de linhas coloridas, que dificilmente se desfazem em novelos firmes e bem enrolados. Mamãe tem máquinas de enrolar fios  que usa para fazer os novelos e mesclar as cores. Ela tem máquinas de tecer e o tecido produzido conta com texturas, cores e estruturas para desenvolver o enredo.
Quando nos reunimos, velhos fatos ganham nuances novas e se solidificam reinventados.
É assim que estamos construindo nosso tapete persa e mágico
 

domingo, 8 de novembro de 2009

Christopher

De cima do trampolim, na raia 4 da piscina, está pronto para se atirar e ser!
Seu nome, ao mesmo tempo estrangeiro e familiar, traz lembranças do tempo em que carreguei no colo e embalei, a criança linda que ele foi.
Atualmente, por morar longe demais para ser abraçado, posso acompanhá-lo pela internet, a ele e ao seu gato. Vejo com prazer fotografias dele postadas pelos amigos, que são muitos, sempre foram muitos.
O que vai ser agora? Um astro? Um diretor? Um ator?
Com o tempo, espero vê-lo em outras mídias.
Aqui comigo, eu o embalo nas cordoalhas do meu coração e o vejo florescer nos meus sonhos.
Vai, menino, ser doce na vida!

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Jardim Botânico

No Jardim Botânico, um prêmio. Uma família feliz, pura harmonia, linda de se ver. O tempo claro e seco, abençoava e absorvia. Meninos bonitos, saudáveis, alegres. As discordâncias pontuais eram muito bem resolvidas. O mesmo sorriso da mãe, os três tinham. O mesmo carisma também.
Tinha visto a plantação de pau brasil, arvorezinhas de tronco carmim, recanto de conversas paralelas. Esquilos pisavam em folhas mortas. Barulhinho bom. Orquestra natural.
Quando o silêncio inundava tudo, era o rei e sua comitiva que desfilavam na aleia com suas palmeiras imperiais.
Nós desfilamos também, refazendo o caminho da realeza.
E depois fizemos um lanche em muito boa companhia.
Preciso ir outras vezes ao Jardim Botânico. Passeio mágico.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Somos oito


Somos oito.
Muitas vezes é demais da conta; muitas outras vezes parece tão pouco...
Temos o mesmo prazer com a música e desafinamos ocasionalmente, mas sabemos disso.
Podemos ser melancólicos, atrevidos, ranzinzas, engraçados, tudo ao mesmo tempo, ingredientes de um delicioso bolo branco e fofo, coberto de muitos suspiros.
Falamos alto, muito alto e quando juntos, somos um bando de maritacas, Cecis donas da própria vida.
Sonhamos enriquecer para repartir, acreditamos na recompensa pelo trabalho, mesmo que a "vida marvada" diga que não.
Na última vez que nos abraçamos, na casa da mamãe, cantamos todas as canções habituais dos nossos saraus, mas não cantamos o menino da porteira. O menino da porteira já morreu e sentimos tanta falta...
Todos temos animais de estimação, gatos ou cães. Sabemos como dói perdê-los, mas mesmo assim queremos mais um.
Só uma não teve filhos, mas adotou toda a família. Junto com a mamãe é nossa mãe também.
Cada um seguiu seu caminho, agregou-se a outras famílias, tornou-se uma outra mistura. Assim, idéias diferentes entram na roda; e na ciranda, às vezes as mãos se perdem, para em seguida se acharem. Imaginem uma casa cheia de gente, nós e nossas crianças em quem nos reconhecemos nos detalhes. É muito bom.
O que sei é que juntos somos lindos, felizes à beça. E falamos e cantamos e falamos mais um pouco.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Julho

Julho é um mês muito especial. Chance de encontrar todo mundo e falar e falar e falar.
Nem sempre dá certo, mas é a época do ano com as maiores probabilidades.
É quando a Renata vem, os pequenos estão em férias, a agitação das moléculas aumenta e todos preparam seu dó de peito para poder ser ouvido. Na casa da mamãe, o "bunker" da família, bebemos vinho e coca-cola, nos abraçamos muito, contamos novidades e repetimos velhas e boas histórias, que todo mundo sabe de cor, mas relembrar nos emociona e sempre acabamos alegremente renovados. Todo mundo fala de todo mundo e como isso é saudável! Reparamos em cada detalhe, as novas rugas, os quilos extras de um, os quilos a menos de outro, as novas cores e cortes de cabelo, e concluímos que a vida está um ano mais velha.
É bom envelhecermos todos juntos.
E lembrar das pessoas que há anos estão completas e que não mais envelhecem .

quarta-feira, 10 de junho de 2009

B-I-C-I-C-L-E-T-A

Hoje está um dia claro e fresco. Resolvi pedalar na praia. Peguei minha garrafinha de água, coloquei no suporte da minha magrinha e fui saindo, animada. Na rua percebi que os pneus estavam muito vazios. Voltei. Onde está a bomba de calibragem? Ali. Não dava pressão. Os pneus ficaram mais murchos que antes. Resolvi ir até a portaria do condomínio, ao lembrar que como os seguranças fazem suas rondas de bicicleta, eles deveriam ter alguma bomba por ali. Tinham, mas estava quebrada também. Voltei para casa, injuriada, procurei pelas outras duas bombas que tenho certeza, estão bem guardadas...Não achei. Detesto quando planejo alguma coisa e não sai. Aí lembrei da minha bicicleta velhinha, que eu comprei num impulso logo que mudamos pro Rio. Ela estava em forma, pneus calibrados e eu pude sair com ela. Pensava em quanto sou teimosa; entrei fechado demais em uma curva e quase caí. Lembrei de quando eu resolvi aprender a andar de bicicleta e fiquei rindo sozinha. Bom, eu não sou a única nesta família que prima pela teimosia. Todas somos muito custosas e quando nos reunimos, há sempre discussões figadais. Cada uma tem seu ponto de vista e o defende vivamente e em geral cada uma vai embora com a própria opinião ainda mais elaborada.
Eu resolvi aprender a andar de bicicleta em umas férias que passei na fazenda do Hércules. Puxei fundo pelos meus neurônios mais antigos, mas não me lembro porque decidi aprender a andar de bicicleta naquele dia. Com certeza, alguém zombou de mim e eu encafifei. Lá havia uma bicicleta bem velha, sem freios, pneus carecas e murchos, guidon meio torto. O espaço que eu tinha para aprender era em um declive do terreno, de terra batida e era preciso fazer curvas bem fechadas, porque ali em volta daquela pequena clareira, havia muitos limoeiros. Com a companhia de algumas galinhas e pintinhos alvoroçados, penei! Não sei quantas vezes caí e levantei e teimei. Mas acabei pegando o jeito e feliz e cansada, suja de terra e coberta de arranhões fui tomar banho.
Em tempo. Meus irmãos também são muito teimosos, apenas fazem menos barulho...