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domingo, 6 de maio de 2012

Satélite

Ah, a lua... Quanta majestade!
Era tarde quando saímos, dentro da rotina das nossas noites de sábado.
Claridade, céu límpido com muitas estrelas, e a lua, se derramando para nós!
"Vejam-me", ela parecia dizer, tão  plena e próxima, que só mesmo abrindo a boca numa interjeição aguda, para deixar sair a emoção de observá-la.
Então seguimos nossos planos e uma hora depois o céu estava encoberto, e nada de estrelas. Mas a lua, ah a lua, ainda expandia sua luz por trás das nuvens, e vinha iluminar meu jardim, meus amores; e minha vida.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Com outros olhos

Tenho olhos azuis, basta checar meu DNA, os genes estão lá.
Mas é assim: durante o dia azul.
À noite castanhos bem escuros.
Se tem brilho ou não  depende de fatores externos. Qual é o tamanho da lua? É lua Nova? Minguante?
Os meus olhos azuis se cansam mais depressa. Querem olhar tudo com clareza, determinação, mas são tão sensíveis que às vezes choram...
Os escuros, não. São firmes, devolvem o olhar, nada os abate.
Portanto, camarada, se eu estiver com aqueles de cor azul, não seja rude.
Tenha delicadeza até para me encarar.
Se for possível, não me enfrente, posso reagir e ninguém vai gostar. Tenha paciência.
Assim que passar o dia e ensombrecer,quando vier a penumbra,  pode ser que eu o veja com outros olhos.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Teorema pueril

No céu de um azul escancarado conversavam o sol e a lua, cada um em sua janela.
- Ei, garota o que faz aqui de manhã? Vá dormir que a labuta será intensa quando anoitecer.
- Ah, deixe-me em paz, estou tonta ainda, bebi demais.
- Pois não vá arrotar nuvens em meu terreiro recém varrido, hein?
Ela suspirou com preguiça daquela conversa àtoa, virou-se para o outro lado e meio minguada foi ficando por ali.
Ele que queria mesmo era jogar conversa fora, voltou a reparar, de sua posição privilegiada, nos detalhes da terra. Porque  quando chegasse a noite, forçosamente teria que ir dormir.
Tem sono cedo esse loirinho, mas faz um bem enorme por aqui, no outono.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Branco

Eu sei que é muito cedo para acordar, é noite ainda.
Mas fico aqui; olhos arregalados a verem a lua que boia no céu.
Quando o sono vem bem devagarinho e quase adormeço, de susto meus olhos se abrem, -"não, é muito cedo para dormir." É desta forma que as horas passam, acordando e dormindo.
Um gato passeia branco como a lua, como a lua.
Subiu no meu peito, apertou minhas costelas e sem se despedir evanesceu.