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terça-feira, 6 de setembro de 2011

Reticências

As vezes fico cismando, até quando, até quando?
Minha vida é cheia de reticências e fico aqui calada e quieta enquanto aguardo a próxima palavra.
Não ousei ainda olhar lá fora depois que amanheceu.
Porque o último clarão da lua  alertou-me sobre a inevitabilidade de ser  um pouco menos a cada vez.
Já senti meus ossos e músculos, senti completamente a minha pele, onde estarei faltando uma parte? Interiormente é claro, o impalpável, o intocável.
Algumas ideias vagas que se foram para sempre.
Em um fogareiro orgânico, mantido baixo, sinto o cozimento das falhas, estas sim, moldadas, cristalizadas.
Quem sabe no próximo amanhecer estarão faltando uma unha e alguns fios de cabelo?
Se são visíveis, posso até calcular: Hoje se foram umas 20 gramas de mim. Bem, não me farão falta.
É assim que continuo, administrando as perdas.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Tempo de massagem

Já tive um trabalho, um violão, um bebê para criar. Imaginava que o tempo passava tão depressa porque eu não tinha o tempo. Agora tenho. Está aqui preso em minhas mãos mas continua escapando, inexorável...

Ganhei de presente da minha Helena, uma massagem. Apesar de certo constragimento em ser tocada por alguém desconhecido, cheguei no spa e segui as instruções com um certo embaraço e hesitação. Depois fui relaxando e sentia músculos adormecidos despertarem. A medida em que liberava tensões ouvia várias ideias brotarem em ramas de dentro da cabeça e discutiam aos gritos tentando chamar minha atenção. Terminada a massagem, meu corpo agradecido pela benção, senti aflorar um choro.  Era inesperado e manso mas como me fez bem.