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quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Carla

Não tenho ideia de como nossa amizade começou, sei que ficamos amigas inseparáveis; e durante os domingos  passávamos juntas todas as horas que dispúnhamos na AABB conjunta de Uberaba, Igarapava e Ituverava. Era às margens do Rio Grande que faz a divisa entre Minas e São Paulo e entre nossas cidades.  Era uma festa quando você chegava!
Falávamos o tempo inteiro, numa alegria de encontro que pouca gente deve ter experimentado.
Era mágica, Carla, pura mágica.
Lembro-me de uma torta de maçã que sua mãe fez certa vez e que eu, com muita vergonha, tive que pedir mais um pedaço, jamais tinha experimentado algo tão saboroso. Sei que o sabor inusitado para mim, era de fato uma mistura de amizade e carinho.
O gosto bom e o afeto em pequenas porções e a cada semana sempre fizeram diferença.
Estivemos juntas em Uberaba e em Ituverava, quando compreendi a diversidade de nossa existência. A começar pelo número de irmãos, você tinha um e eu sete! Você dispunha do cuidado integral de todos da sua família e eu aprendia a dividir tudo lá em casa.
Naquela semana em que passei com você e sua família em Ituverava pude vê-la escovar cem vezes a longa e linda cabeleira todos as noites antes de se deitar.
Aquele capricho que para mim era interminável, fazia parte de sua rotina diária, era seu estilo de vida e o padrão que adotara para si.
Depois da adolescência, quando comecei a namorar um moço ciumento e possessivo, nos afastamos, mas nossa amizade vai durar para sempre.
Cada uma seguiu um destino próprio, muitas vezes desigual.
Mas, minha querida, sempre me lembro de você, com uma saudade imensa do tempo em que éramos muito jovens e acreditávamos.
Eu ainda acredito. Em você, em seus sonhos, em sua capacidade de superação.
Estamos as duas um ano mais velhas, mas isso nem importa mais.
Parabéns pelo aniversário!
Toda a felicidade possível.

sábado, 9 de julho de 2011

Vinícius e Frederico

Ontem foi um dia especial. Foi aniversário do Fred, meu sobrinho querido que atualmente mora e trabalha em São Paulo.
Também comemoramos, aqui no Rio, o segundo aniversário do Vinícius, um menininho muito esperto, filho do Léo e da Priscila. Fazia tempo que não íamos a uma festinha de criança. Fiquei muito encantada com o espaço da casa de festas, havia atividades muito modernas para as crianças como tirolesa e paredão de escalada, além dos clássicos: piscina de bolinhas e animadores. Feliz, comendo salgadinhos deliciosamente calóricos em boa companhia, lembrei-me das festas do Frederico e da Helena.
Compareci a pelo menos dois aniversários do Frederico, ainda na época em que não tinha a Helena e morávamos em São Paulo. Íamos com mais frequência até Uberaba e pelo menos duas vezes participei ativamente das festas. Numa delas fazendo o bem - era o auge das tartarugas ninjas e eu desenhei e pintei as verdes criaturas em camisetas para as crianças da festa. Adorei fazer isso e as crianças curtiram bastante. Não sei se na mesma festa ou em outra estive "do lado negro da força". Enquanto distribuía os balões, a meninada jogava ao chão, pisava para estourá-los e em seguida corria para buscar outro.  Acabei surtando e estourei todas as bolas que restavam sob os olhares amedrontados das crianças. A Fernanda, mãe caprichosa, sempre filmou as festinhas e registou este momento de maluquice. Ela também tem guardadas cenas inesquecíveis de quando presenteou Frederico com um cãozinho dentro de uma caixa com laço de fita. A surpresa e a empolgação dele, pulando junto com o cachorrinho é de chorar de emoção. E também outra cena, esta assustadora, quando uma daquelas velas que lançam faíscas acabou queimando toda a mesa do bolo para desespero dos convidados.
Ano passado estava em São Paulo nesta época e Helena e eu almoçamos com o Frederico e demos muitas risadas. Ele ficou um tanto aflito quando viu que a vela era daquele tipo maligno, mas nada havia ali para queimar, a não ser nossas pestanas, que foram poupadas.
Vale muito a pena comemorar aniversários, principalmente dos pequenos.
Se não pelos docinhos e o bolo, pelo menos pelas doces lembranças que nos trazem de nossas próprias festividades. 

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Júlia

Faz tempo que não vejo a Júlia. Ela vinha muito aqui visitar a Helena. Passavam horas na piscina, mergulhando, conversando e rindo alegremente. Inventavam danças com direito a shows; e brincadeiras que só elas entendiam. Ficavam horas dentro do quarto-freezer - o quarto da Helena, com o ar condicionado a mil.
 Depois de alguns dias a sereiazinha já estava com os cabelos verdes de cloro, um charme a mais. Helena e ela sempre gostaram de cabelos longos, mas no verão e em férias no Rio, acabavam um tanto descabeladas, vermelhas e descascando (a Helena mais descabelada e menos vermelha, tostava logo.) Protetor solar direto, mas a menina sempre foi tão branquinha...
Chegava para as férias linda, toda produzida pelas ideias da mãe e dela própria que sempre foi muito independente. Quando voltava para Minas estava destruída, sujigada pelo sol, praia, piscina e pelas noites  acordada com a Helena, fazendo o quê nem me pergunte. O assunto nunca acabava! Eu ficava até um pouco envergonhada de devolvê-la assim, mas sabia que ela estava feliz!
Os quatro primos - Juju, Helena, Gabriel e Frederico - aprontaram muito. Para mim era uma alegria, acostumada que fui a vida toda com a casa cheia de gente, todo mundo falando alto e gesticulando.
Aqui quase tudo era permitido - tomar sorvete e picolé até não poder mais, comer fornadas de pão de queijo e coca-cola e sanduiches e pipoca ...e o que mais gente?
Mas o tempo, ah o tempo. Passou e virou passado. Hoje cada um com sua vida, novos amigos e novos projetos - já estão todos trabalhando - tem pouca chance de repetirem aqueles dias. Mas se lembram, com certeza se lembram; e serão primos para sempre! Depois que Helena mudou-se para São Paulo e ela própria só vem para ficar dois ou três dias não tem mais jeito de juntar aquela meninada. 
Lembro- me bem de que a Júlia às vezes ficava pensativa, triste mesmo; eu perguntava: que foi, menina e ela - nada, tia... . depois de um tempo, ela voltava a ser alegre e divertida. Penso que eram momentos de melancolia tão frequentes em nossa família. Mas como sempre dizia para Helena nos maus momentos - vai passar, vai passar.
A vida é ilusão e acreditem ou não, muitas são as histórias para contar!

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

O dia dos anos

É assim: Uns envelhecem na marra, fazem anos. Outros rejuvenescem  de repente quando sorriem e aparecem para dizer bom dia... O dia do aniversário é pragmático e cruel. Não há escolha e o pior, quanto mais amigos temos mais gente para nos lembrar que o tempo está passando; quando se vê já é passado. Um bom motivo para ser feliz rejuvenesce, por exemplo um novo amor, um carro novo, uma nova morada. O prazer é pura plástica. Faz milagres e nem cobra caro. Estica até nosso coração que bate mais sincopado, sambando feliz por aí. A fortuna também ajuda, mesmo que ela seja psiquica.  Sonhar em construir, lembrar de viagens, cuidar dos bichos, programar um cineminha, rever amigos, beber um vinho.
Reformas dão muito trabalho e trazem nas contas  rugas  novas e quilos a mais pela inércia e aflição. A melhor palavra para descrever isso é: encalacrado. Pedreiros não tem muito compromisso com seus trabalhos, vão acumulando empreitadas de tal forma que para cumprir toda a agenda precisariam transformar-se em três ou quatro;  capacidade desejável, invejável porém fantasiosa. Vem as rusgas, discussões acirradas e quem sai no prejuízo é quem contratou: perdem-se cabelos, outros descolorem e a expressão cai um tanto. Reforma finalmente terminada, tudo ajustado, como é bom, o novo, o limpo, o jovem. 
Reconfortante é poder trabalhar em casa, ser bela e admirada e nem por isso precisar mostrar-se. Todas essas novidades ajudam a passar pela próxima data de aniversário, dez anos mais jovem e cem anos mais feliz.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Espreguiçar

O dia, é o dia, é o dia.
A rotina, abrir os olhos, espreguiçar, levantar; e daí a pouco abrir a porta, sentir o cheiro do café fresquinho, falar bom dia e comentar sobre o tempo, sobre o trânsito, enquanto comemos pão quentinho com manteiga e muito café num pingo de leite. Aí, com muita preguiça espreguiçar de novo e trocar de roupa para sair de casa e correr nas ruas ou nas praias. Voltar cansada,  feliz, endorfinas enebriantes e a felicidade de existir somente, sem grandes ambições. O dia é o dia e depois vem a noite, em seguida o dia e abrir os olhos, espreguiçar.  

terça-feira, 22 de junho de 2010

vinte e dois

Há vinte e dois anos  foi o dia mais intenso que vivi.
Desde então não preciso que me levem, eu vou.
Nem que me animem, tenho o riso frouxo e passo ao largo das frustrações.
Vou correndo, aflita por assisti-la viver.
Como é lindo, como é linda, como é bom!