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domingo, 11 de setembro de 2011

Dez vezes o onze

11 de setembro.
11 de setembro.
11 de setembro.
11 de setembro.
11 de setembro.
11 de setembro.
11 de setembro.
11 de setembro.
11 de setembro.
11 de setembro.

Há dez anos, todos os anos.
Dói lembrar e ver. As mesmas imagens, os mesmos gritos e os mesmos corpos. Algumas imagens novas. Poucas. Mas tudo parece novo. E sempre vai parecer.
Até o final dos tempos, ou da mídia - o que vier primeiro - teremos o 11 de setembro.
Tomara que não precisemos mudar de catástrofe.
Porque mesmo sem querer, pouco a pouco vamos nos acostumar.
E talvez doa menos.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Deixa ver?

Deixa ver seu machucado, não vai doer só de olhar. Não, não vou por a mão, só vou olhar.
Deixa ver seu olhar, que dói de mágoa, dor ardida e molhada de muita história.
Fiz as contas e descobri uma falha nos números:
Ao dividir por dois obtive um, ao dividir por um obtive outro.
Nesta brincadeira foi passando o tempo de sarar a ferida ou pelo menos mudar seu tom, descolorir.
Finge que nunca doeu, mas não acredito. Não quer me deixar olhar, mas vejo seu desarranjo.
Escuta, nem vou mais dormir, ficarei de vigília. Quando pegar o sono, vou conferir sua ferida e você vai compreender como é bom ser confortado.
Um carinho, um beijo, abraços...
Tão bom!

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Amalgama

Tem nervo, está vivo, é mesmo, mas nem dói, ainda bem tá longe da raiz,  põe amálgama, não existe  faz tempo  só coroa, algo baratinho tem, o mais baratinho é a coroa. Puxa, então arranca, imagina um dente tão bom, mas nem uso, usa sim, não uso, não mastigo deste lado, mastiga sim senão não tinha quebrado, foi o fio, que fio, o dental, vou deixar por último,  mas e se doer, se doer passamos na frente, quero arrancar, eu não arranco, quero por mercúrio, está fora da lei, mas é barato, eu não faço amálgama, vou pensar volto na semana que vem, está bem.
Não voltou, morreu sem amálgama, sem coroa, sem nada.