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domingo, 11 de setembro de 2011

Dez vezes o onze

11 de setembro.
11 de setembro.
11 de setembro.
11 de setembro.
11 de setembro.
11 de setembro.
11 de setembro.
11 de setembro.
11 de setembro.
11 de setembro.

Há dez anos, todos os anos.
Dói lembrar e ver. As mesmas imagens, os mesmos gritos e os mesmos corpos. Algumas imagens novas. Poucas. Mas tudo parece novo. E sempre vai parecer.
Até o final dos tempos, ou da mídia - o que vier primeiro - teremos o 11 de setembro.
Tomara que não precisemos mudar de catástrofe.
Porque mesmo sem querer, pouco a pouco vamos nos acostumar.
E talvez doa menos.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Felicidade

Quando somos muito felizes, quase esquecemos que um dia houve uma história sem fim de sombras noturnas e sombras diurnas. Uns bichos de mau agouro, que se debateram em asas sobre nossas cabeças e que fugiram de nós com medo dos nossos presságios.
Quando há felicidade e podemos rir satisfeitos de  mais uma vez ter conquistado, ter amado, ter sido humano; parece-me que nestes dias iluminados e tépidos, nem lembramos das roupas escuras e tristes e com cheiro de mofo dos anos guardados à oito ou dez chaves.
Depois, em dias mais tristonhos, revendo fotografias, avaliamos: como pude? Como foi mesmo? Como era mesmo?
E queremos arrancar das imagens a alegria que uma vez foi tão palpável que se estampou em nossas fisionomias.