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quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Sabiá

Estarão todos surdos?
Minha querida, estarão todos ouvindo e fingem?
Lá no fundo, o melhor é cantar e contar para você e com você.
Solidão é um canto, um pouco de paz, vasculhe lá dentro e encontre uma nova música, um velho amigo, alguém para dividir um doce.
Lá dentro, bem lá no fundo, somos nossos  próprios ouvintes, ternos e fiéis.
Mesmo que esteja longe, você pode falar com a gente, deixe-se ouvir, deixe fluir.
A memória é uma companhia tão agradável, escolha uma lembrança, leve-a para passear com você pela casa, dance com a lembrança e eventualmente empurre para debaixo do tapete, a hipocrisia e a falta de amor.
Queria contar histórias engraçadas para animar seu dia, falta-me a destreza com a saudade para lembrar e dar risadas.
Um jovem sabiá ensaia, vem cantar aqui seu canto pobre, é ainda tão novo...
Mas nós podemos cantar com força, eu lembro de cantarmos afinadas e fortes, vamos transformar este sabiá curioso e jovem naquela canção tão bela que haveremos de ouvir.

domingo, 31 de julho de 2011

Próxima estação

Lá se foram meus hóspedes.
Mais uma vez acordei com a casa em silêncio, um pão fresquinho que o Miguel foi buscar para o café da manhã e o cachorro reclamando com fome e desfastio.
É certo que as montanhas e os mares se alternam na natureza e em nós também que somos parte dela.
Tenho um sentimento febril quando a casa está cheia, quero dobrar o valor do tempo, inflacionar os bons momentos.
De volta ao cotidiano, sofro por uns dias antes de retomar meus exercícios e minhas atividades.
Depois vem as lembranças e quentinha com elas termino com o inverno e entrego meu coração à mais florida e pródiga das estações do ano.

domingo, 8 de novembro de 2009

Christopher

De cima do trampolim, na raia 4 da piscina, está pronto para se atirar e ser!
Seu nome, ao mesmo tempo estrangeiro e familiar, traz lembranças do tempo em que carreguei no colo e embalei, a criança linda que ele foi.
Atualmente, por morar longe demais para ser abraçado, posso acompanhá-lo pela internet, a ele e ao seu gato. Vejo com prazer fotografias dele postadas pelos amigos, que são muitos, sempre foram muitos.
O que vai ser agora? Um astro? Um diretor? Um ator?
Com o tempo, espero vê-lo em outras mídias.
Aqui comigo, eu o embalo nas cordoalhas do meu coração e o vejo florescer nos meus sonhos.
Vai, menino, ser doce na vida!

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Convite

Venha até minha casa, vamos conversar, tomar vinho, falar de antes, comer queijos, falar de agora e suspirar, descansadas, saciadas de lembranças. Conte-me seu novo trajeto para casa, dos cães que viu em seus passeios, dos cachorros-homens que rosnaram e estragaram seu dia. Lembre-se de trazer suas fotos mais recentes, das últimas baladas, para eu saber que está se divertindo enquanto amadurece. Venha ver as últimas mudas que plantei no jardim, há joaninhas por toda parte.
Chame meu gato de fofo, repare nas novas almofadas da sala, conte-me de sua mãe.
Vamos falar em todas as línguas, vamos rir bastante de nós mesmas e vamos nos despedir, às gargalhadas, no meio da chuva.