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segunda-feira, 7 de maio de 2012

Maratona doméstica

Minha empregada saiu em férias e neste mês vou cuidar de tudo no lugar dela.
Sinto falta dos mimos - um café fresquinho, uma limonada de surpresa -  e da conversa frouxa, leve, cotidiana.
Levantei, catei o ânimo que estava escondido sob a cama e lá fui eu, vassoura em punho, pano de limpeza, lustra-móveis e pinho sol.
Esfreguei cada cantinho, varri e organizei os objetos que batem pernas durante o fim de semana. Quando terminei a sala, pingando de suor e com a frequência acelerada,  parti, satisfeita, para a próxima etapa: os quartos e os banheiros.
Limpei a preguiça que não fazia a menor questão de sair do lavabo, e detonei com a cigarra que queria cantar para sempre  sobre o criado mudo.
Prendi o cabelo com grampos, agradei o cachorro com um petisco e voltei à lida.
Subir as escadas e começar tudo outra vez, no segundo andar.
E eu que já havia esquecido que temos uma casa linda, iluminada e ... enorme!

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Cartas

Bons tempos aqueles que que se escreviam cartas de próprio punho, com a letra carregada de emoção e direito a rasuras e rabiscos.
Dependendo do assunto, da formalidade da relação, era preciso passar a limpo com todo o cuidado para não errar uma segunda vez.
Assim era possível corrigir eventuais erros de concordância ou grafia, que por descuido pudessem ter escapado.
Era bom receber uma carta com o cheiro de tinta e as vezes algum borradinho de café ou chocolate.
O querido amigo estivera com aquele mesmo papel nas mãos, o trabalho todo estava ali, vivo, com suas impressões digitais inclusive.
Em tempos modernos as conversas fluem muitas vezes mais rápido que a capacidade de raciocínio e escrevemos tantas bobagens...
Quem nunca se arrependeu de ter acabado de enviar uma mensagem?
Às vezes gostaria de rabiscar toda uma frase, apagar até mesmo da minha memória um texto tão inoportuno.
Sou da geração da transição.
Quem nunca escreveu uma carta de próprio punho nem vai compreender!

sábado, 22 de agosto de 2009

Sábado

Uma ou duas laranjas picadas. Um prato cheio de feijão. Uma conversa mansa. Toucinho e lombo. Um pouco de couve refogada. Farinha. Uma dose de pinga. Roupas de frio. Frio. Um punhado de sorte. Uma música quentinha. Conversas paralelas. Uma lembrança boa, lembra? Dois ou três gols na televisão da parede. Goiabada, queijo, doce de leite. Café purinho, sem açúcar nem adoçante. Em casa, ver um filme, ler um pouco, ouvir música. Falar da vida, reclamar do tempo. Depois dormir e acabar por acordar já domingo.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Cabernet e Brie

Depois de uma semana com boas companhias, voltei ao meu estado natural de solidão planejada. Gosto de ficar sozinha. Mas assim, imediatamente depois de ter hóspedes, tudo fica um tanto silencioso aqui em casa.
Mas, fiz meu esquema habitual das segundas feiras. Tomei café, fui correr, academia, passeio com o Haus e por fim, pedalei na ciclovia do Recreio. Desta vez fui um pouco mais longe, por um caminho que desconhecia e que para uma primeira vez, pareceu-me meio ermo. Depois que pensei nisso e já voltando por onde tinha ido, aquela música que a Elis Regina cantava tão lindamente. " ... a barra do amor é que ele é meio ermo, a barra da morte é que ela não tem meio termo; " grudou em meu pensamento e ainda está bem aderida. Como é muito linda apesar de triste, deixei que povoasse o dia.
Almocei um "matinho" trivial, temperado com alho e cebola torrados, aceto balsâmico e sal.
Depois fui ao salão para "hidratar o cabelo" o que para mim significa uma boa massagem na cabeça.
Voltei para casa relaxadinha e a solidão continuava aqui na sala e perguntou-me se eu queria um café.
- "Café? Pode. Sem açúcar e sem adoçante, por favor."
Fiquei rindo e lembrando que a Marthinha pintou meu cabelo e brincou comigo perguntando se eu queria café. Conheço esta garota desde os 15 anos, é uma das poucas pessoas que grudaram feito chiclete em minha vida mas tem sempre sabor, chiclete suculento. Quando vai perdendo o gosto, tudo se renova e lá estamos nós de novo em pleno momento tutti-fruti.
Quando eu a conheci, era uma adolescente cabeluda e mal humorada e por alguma confusão que nem sei explicar, tinha por certo que ela não podia falar porque tinha um problema no pálato.
Assim, imaginei que era por isso que era tão fechada, tão calada. Quando a vi dar uma sonora gargalhada é que percebi meu engano, era apenas seu jeito de ser.
Como acontece sempre, a vida vai moldando a gente na marra. Atualmente estamos bem mais serenadas mas continuamos a bater o pé quando discordamos e o tempo fecha se a "panela" esquenta.
Torço para que seja sempre assim. Amizade bem temperada com Cabernet e Brie.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Pacotão

O meu tempo é o quente, não consigo fazer as pazes com o inverno, mesmo aqui no Rio.
Faço tudo devagar, quase dolorida. Preciso que todos falem baixo, não, por favor, faça seu menino calar. O avião faz muito barulho, o vento é ruidoso, ai a campainha! Fui lá ver, vieram entregar um pacote. Pacotão. Fiquei curiosa, mas nem era pra mim...Fiquei pensando em abrir, ora, ele nem vai se importar... Chacoalho. Barulho tilintante. Ai, barulho! Onde eu estava mesmo? Coloquei o pacote sobre a mesa e fui buscar um café. Quente. Bom. É um auto-abraço. De dentro pra fora.
Um pacote embrulhado em papel pardo, enviado por uma empresa da qual nunca ouvi falar.
Como sou uma moça educada, não vou abrir o pacote, mas queria que fosse pra mim. Quero abrir o embrulho com força, destroçar o papel, rasgar a embalagem.Telefono: -"Oi, chegou um pacotão..." Ele não esperava encomendas... Vou ter que esperar até à noite.
Falta do que fazer. Vou andar um pouco. Eu, meu cachorro, minha curiosidade e a sua.
Pois é. O inverno é traiçoeiro.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Fim de semana

Hummmm. Fim de semana chuvoso. Votações em pauta. Preguiça de viver... Acho que devo comer alguma coisa, falta-me energia. Ou posso dormir... mas quando acordar o nada a ver continuará. Um dia desses fiz o caminho inverso. Antes de acordar tomei café e antes do café corria. Assim, dizem, evitamos a degeneração da memória.... será?