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quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Divagar

Quando é que começamos a sentir saudades do que fomos? Qual é o gatilho?
Esqueci tanta gente e agora tantos vieram a tona, cutucar meus instintos e amolecer meu coração.
Não me lembro de sentir saudades dos amigos antes dos 30 anos. Sentia falta do namorado que ia e vinha; e sofria muito pela separação: eram picos de prazer e desespero.
Agora não. Faz metade da minha vida que estou com meu amor, portanto em segurança, porém sinto saudade de tudo mais. Da filha tão amada, dos irmãos queridos, dos pais distantes - de uma forma ou de outra,  dos colegas das faculdades, dos animais que tive, da vidinha simples do interior, das emoções da cidade grande...
É um sentimento maduro, mais relacionado ao amor que à paixão que me movia antes.
Com certeza tem a ver com os meios de caminho. Se antes tudo se movia rapidamente e o tempo era curto, agora pode-se pausar o filme e divagar sobre o antes e o agora.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

A falta que os amigos me fazem

No vai e vem das ondas, conheci pessoas que passaram a fazer parte da minha vida regularmente. Aprendi a conviver e lidar com as diferenças, deixei-me envolver pelas semelhanças, por gostos idênticos, conversas íntimas e muitas risadas espontâneas. Tornou-se tão natural este contato; e a rotina fez parecer que era para sempre. Mas, não. Sopra um vento mais forte e  pessoas queridas vão viver em outras praias; algumas  vezes quem partiu fui eu  e a convivência  tornou-se um ocasional reencontro. 
Eu sei que a amizade é um amálgama que ajuda a construir nossa consciência, então incorporamos um tijolinho aqui outro ali desses queridos  em nossa forma de ser. Gosto de pensar assim, de ter esse conforto. A saudade, a falta que esses amigos me fazem passa a ser uma forma inusitada de incorporar tijolos e crescer interiormente.

domingo, 25 de julho de 2010

Pontos de crochê

Escrevi para voce umas histórias feitas em pontos de crochê. Cada ponto é uma letra, cada desenho, uma palavra e cada carreira uma oração. Os parágrafos são as carreiras cheias, impermeáveis.
Escrevi pontuando, de maneira displicente e obstinada, espelho do meu pensamento, que é assim mesmo : uma contradição. Mas é que quando vem a ideia, escrevo do começo ao fim, quase que de uma vez, porque concluindo evito perder o fio. Na releitura poucas vezes  substituí  uma palavra, ou acentuei  uma proparoxítona esquecida. A displicência é meu jeito de ser, vou jogando e brincando com a vida, o capricho não é tão importante para mim como é a sinceridade. E voce bem sabe disso.
Usei  linha de algodão, que é bem macia e fica ainda melhor depois de lavada diversas vezes. Com o uso, as pontas vão se desfazendo, mas os textos não são lá nenhum pergaminho valioso. Fiz para o dia a dia, está mais para um caderno de menino hiperativo, que precisa ser passado a limpo.
Parece pouco para durar o ano todo... Mas voce vai ver que no avesso a  história é outra, e outros textos serão lidos se a página estiver de ponta-cabeça. ( Ponta-cabeça é tão paulistano, acho que prefiro o nosso "mineirismo" - de cabeça para baixo.)
São para usar na cozinha, para enxugar as mãos ou qualquer outra coisa mais pungente; e para pegar a travessa quente com sua refeição.
As entrelinhas ! Quase que me esqueço delas. Ali estão alguns tesouros. Vá procurá-los se estiver triste, se a saudade doer demais, se precisar de um amigo. Coloquei ali palavras de conforto e poesia; algumas piadas e as risadas para fazer coro com as suas; e também os mimos das nossas conversas tão boas enquanto estivemos juntas.
Mas isso tudo é só o começo. Fico por aqui, mas vou continuar pontuando meu crochê.
Mesmo que seja só uma forma de passar o tempo, até a próxima vez.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Felipe

Um dia, um gato chegou e foi ficando. Faz quinze anos e ele ainda fica!
Bom garoto, companheiro demais, sempre sentiu meus desconfortos e doenças e vem miar no meu colo; ele me consola.
Fico animada com ele, funcionamos como um casal.
Agora que está bem doente, olho para ele e penso: como vai ser possível?
O que vou fazer sozinha sem a sua companhia ?
Essa é a maior tristeza de ter bichos: Eles morrem antes, envelhecem antes. Assim, ter um bicho ainda que seja desde filhote significa que ele vai embora antes de nós e somos nós a lidar com a perda.
Assim funciona a natureza.
Seria bom se pudéssemos todos desligar juntos!
Como quem desliga o rádio. Como quem faz uma escolha consciente.