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domingo, 25 de julho de 2010

Pontos de crochê

Escrevi para voce umas histórias feitas em pontos de crochê. Cada ponto é uma letra, cada desenho, uma palavra e cada carreira uma oração. Os parágrafos são as carreiras cheias, impermeáveis.
Escrevi pontuando, de maneira displicente e obstinada, espelho do meu pensamento, que é assim mesmo : uma contradição. Mas é que quando vem a ideia, escrevo do começo ao fim, quase que de uma vez, porque concluindo evito perder o fio. Na releitura poucas vezes  substituí  uma palavra, ou acentuei  uma proparoxítona esquecida. A displicência é meu jeito de ser, vou jogando e brincando com a vida, o capricho não é tão importante para mim como é a sinceridade. E voce bem sabe disso.
Usei  linha de algodão, que é bem macia e fica ainda melhor depois de lavada diversas vezes. Com o uso, as pontas vão se desfazendo, mas os textos não são lá nenhum pergaminho valioso. Fiz para o dia a dia, está mais para um caderno de menino hiperativo, que precisa ser passado a limpo.
Parece pouco para durar o ano todo... Mas voce vai ver que no avesso a  história é outra, e outros textos serão lidos se a página estiver de ponta-cabeça. ( Ponta-cabeça é tão paulistano, acho que prefiro o nosso "mineirismo" - de cabeça para baixo.)
São para usar na cozinha, para enxugar as mãos ou qualquer outra coisa mais pungente; e para pegar a travessa quente com sua refeição.
As entrelinhas ! Quase que me esqueço delas. Ali estão alguns tesouros. Vá procurá-los se estiver triste, se a saudade doer demais, se precisar de um amigo. Coloquei ali palavras de conforto e poesia; algumas piadas e as risadas para fazer coro com as suas; e também os mimos das nossas conversas tão boas enquanto estivemos juntas.
Mas isso tudo é só o começo. Fico por aqui, mas vou continuar pontuando meu crochê.
Mesmo que seja só uma forma de passar o tempo, até a próxima vez.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Soberanos

Não, nada disso!
Nem fique triste, a tarde está linda e eu estou convidando você para irmos ver as ondas.
Espie as tatuíras na areia e os caracóis fingindo que vivem.
Olhe para trás, para o tamanho do passado, esquecemos mas existiram todos os segundos e as horas.
Estou repleta, estou completa, sei da minha história e gosto dela.
Não vou desistir, mais importante que censurar é poder dizer: Isso mesmo, muito bem, você sabe fazer, você sabe crescer, isso é autêntico, isso é edificante e lindo!
Assim são construídos os soberanos, aqueles que vão reinar.




quarta-feira, 5 de maio de 2010

Felizes para sempre

Fico aqui pensando, pensando.
Alguns dias são muito melhores que outros e hoje é um dia vazio.
Um dia lindo na verdade, mas vazio como a camada invisível de ozonio.
Penso que as historias de vida, quando sobrepostas, podem ser transformadas em pequenos sonetos de amor.
Podemos brincar com os finais das histórias. E se não houver nenhuma boa alternativa, ainda que o caos tenha se instalado montanha abaixo, ainda podemos dizer:
E"foram felizes para sempre", seja lá o que for que isso signifique.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Gosto de 51

As montanhas displicentes repousam sobre o horizonte próximo.
O sol está a pino e o dia arde.
Volto de uma despedida e venho melancólica fazer um inventário daquele fim de ano, deste começo de ano.
Sinto ser um parafuso sendo apertado madeira adentro dia após dia.
Estou profundamente dentro da vida e ainda respiro o hálito do dia em que nasci, magra e feinha.
51 anos depois, olhando a exuberância do meu corpo maduro e frágil, reconheço que me agarrei à vida, apesar de desdenhá-la às vezes.
Gosto de viver.
Gosto de contar histórias, de burilar as palavras, sei que criei, que venho criando.
Ouvi dizerem que o melhor desejo para o Ano Novo de cada um é que suas promessas se cumpram.
Gosto de quem consegue cumprir.
Não fiz muitos planos, apenas quero continuar.
Gosto de quem continua.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Preguiça

Hoje, acordaram animadas!
O dia estava claro e fresco, saíram para caminhar e conversaram muito.
Eu fiquei na janela, olhando aquela felicidade e sentia uma certa inveja, confesso.
Algumas pessoas tem uma natureza assim feliz e vão empurradas pela alegria para onde quer que as leve.
De leveza, flutuam e são delicadas flores girando ao vento, livres, lindas.
Elas também se emocionam perigosamente: lembram-se de uma história triste, recuperam o momento passado e sentem com toda a complexidade.
Depois vão tomar sorvete, enxugando os olhos míopes de lágrima.
Fico por aqui, sentindo a brisa artificial do ventilador...
Estou pronta para caminhar e conversar, mas cá entre nós, com este calor,acho que vou cochilar um pouco.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Preciso falar do livro que não tem fim

Preciso falar do livro que não tem fim. Aconteceu comigo! Minha irmã recomendou um livro, de um autor que gosto muito. Comprei e comecei a leitura. Desde o princípio o livro é envolvente, não conseguia parar de ler, não queria que precisassem de mim, vai, deixem-me, estou lendo, estou lendo. A história vai ficando mais densa, os personagens se desenvolvem e fluem pelas páginas. O personagem principal deverá dar uma volta ao mundo. Ele começa por Portugal. E é ali que ele vai ficando, criando lastros. Mas, gente, faltavam menos de 50 páginas...Fiquei muito aflita, bebendo as folhas, não entendia como o autor iria terminar esta volta ao mundo em 50 páginas. Faltavam menos de dez, quando compreendi. Tinha sido seu último livro. Inacabado...