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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Mas isso não é um sonho, é um pesadelo!

Meu cachorro teve um sonho. Sonho, não, pesadelo.
Gania e ladrava e ao mesmo tempo se remexia em patas e focinho, sobre um agonizante tapete.
As vezes ele tem desses sinais de ser vivo.
Em geral se o vejo muito inquieto, chamo, para acordá-lo, e ele me olha bobo com tamanha confusão. Depois cochila de novo, mais brandamente.
Não há como interpretar o sonho dos cães. Nem dá para saber se teriam algum insight em decorrência deles...
Eu o chamo de longe,  não sou boba de tocar nele, que poderia me cravar os dentes como se eu fosse o pitbull da vez.
Soube que algumas medicações podem causar pesadelos terríveis nas pessoas  e que o pobre parceiro acaba apanhando quase  toda noite. Se ainda continuam a compartilhar a mesma cama depois de tanta injustiça o jeito é colocar um travesseiro bem grande e macio entre os dois.
Quanto a mim, meus sonhos são sempre bem vindos. Aprendi a compreendê-los e amá-los.
Eles fazem tanto sucesso quanto meu café da manhã.
Um sonho quentinho é tudo de bom!

domingo, 3 de outubro de 2010

Gatos ainda

Nesta madrugada, tive um sonho.
Acordei cedo e ainda havia os gatos por toda parte. Esgueiravam-se pelas sombras, atrás dos sofás, sobre as mesas. Procurei cada um deles e me lembrava do preto e branco que quando me viu desapareceu. Do outro, este branco e preto que miou aguda e longamente, mas quando fui encontrá-lo também esvaneceu. Um malhado atrás da porta, um engraçado frajolinha, e outros, muitos outros.
Sempre que os via, chamava a atenção da Helena - olha, Helena, que lindo aquele, você vê?
Não, ela não via, apenas piscava lentamente as pálpebras.
Então apareceu o gato marron dourado, no tapete da sala. Desta vez ele me deixou tocá-lo, passei a mão em seu dorso e sentia seu ronronar. Tornei a perguntar a ela: E este Helena, você vê? Ela via. E sentia. Também quis afagar o bichano. E desta vez  fui  eu que esvaneci, morta de pesar de ter sumido de meu próprio sonho tão delicioso e mágico.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Balas

Era fim da tarde, hora da soneca da Helena, que tinha uns quatro anos. A porta do quarto dela ficava aberta e como morávamos em um apartamento pequeno podia ouvi-la de onde estivesse.
Às vezes acordava e ficava brincando com as mãozinhas; algum tempo depois começava um chorinho de desconforto e eu esperava mais um pouco, que era para ela aprender a esperar... coisa que nunca aprendi, por mais que tenha esperado. Quando eu não dava mais conta ia pegá-la no colo e ficávamos esperando o "nosso pai" (era assim que ela chamava o Miguel.)
Mas naquela tarde, aquele choro, eu nunca tinha ouvido. Começou do nada, sem barulhinhos anteriores, um choro forte e triste, quase uma despedida.
Corri lá.
-"O que foi, filhinha? e já fui tirando do berço.
Então ela me contou: -" Eu vi uma balinha, quando fui pegar, ela... ela, vooooooou"; e chorava
e chorava.
Acho que foi o primeiro "pesadelo" de que ela se lembrou. Foi um susto para ela, não fazia sentido. Afinal para onde teria ido a balinha?
Hoje ela me contou que perdeu uma outra balinha, (um prendedor de cabelo em forma de bala) e que está triste por isso.
Mas é uma tristeza conformada, uma tristeza adulta.
Por quantas perdas a minha menina teve que passar para ficar fortalecida.
Por que perder dói sempre e tanto.
Por que nos ligamos tanto a objetos que nem são comestíveis, mas que nos fazem falta como uma fome antiga.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Cabo Cunha

Houve um tempo em que eu colecionava sonhos. A princípio por questões terapêuticas, depois por hábito, depois de birra e depois porque não conseguia parar de lembrar e anotar. Estou revivendo isso porque em uma viagem que fiz a Salvador, faz mais de 20 anos, um gatuno oportunista entrou em meu quarto do hotel 5 estrelas, como se fosse meu acompanhante e levou uma máquina fotográfica, uma bolsa com várias roupas, uma sacola cheia de patuás e meu Deus, meu gravador de sonhos. Quase enlouqueci de vez. Onde estariam meus filhinhos sonhos recém nascidos?
O hotel passou a me tratar como se eu fosse uma princesa, com presentes e cortesias.
No dia seguinte escalaram o cabo Cunha, um baiano ajeitado e cheiroso que ficou circulando comigo do hotel para a delegacia porque haviam encontrado pertences de várias pessoas que haviam sido roubadas da mesma forma. Cabo Cunha me levou para ver quem era o assaltante quando conseguiram prendê-lo. O último objeto que consegui resgatar foi o gravador. Senti minha vida fluir de novo, recuperava meu inconsciente.
Voltarei a Salvador no mês que vem. Desta vez não levarei cadernos nem gravador de sonhos até mesmo porque perdi o hábito de recordá-los.
Levarei uma vontade muito grande de me acertar com a cidade que dizem ser hospitaleira, alegre e linda. Tomara que eu seja recebida de braços bem abertos.
E agora fiquei aqui pensando...qual será atualmente a patente do então cabo Cunha?

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Ele vai comigo

Ele vai comigo. Acabamos de combinar. Vai ser uma festa e tanto, muita música e cerveja. Depois podemos ir ao cinema, aproveitar que está chovendo. Bobagens. Vou pegar um sol e um sonho. Depois faço de conta que toco violão e saio por aí...