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segunda-feira, 27 de junho de 2011

Inverno

A chuva balbuciava lá fora.
Um vento assustou as cortinas e eu acordei transida de frio.
Aqui, entre quatro paredes - as minhas paredes - espero o amanhecer da segunda-feira.
Ontem passeávamos em um céu sem nuvens e no meio da noite, a chuva, a chuva.
Andar nas nuvens? Mais dificil que correr na areia fofa...
E assim, divagando, deixo que o dia se arme; uma luz difusa e tênue.
Hoje os aviões atrasarão, o trânsito estará ainda mais complicado.
Mas temos que viver o ruim também. Um contraponto.
Mesmo em um dia assim, que começa inesperado pela madrugada, haveremos de comer pão, tomar café e escrever um pouco.
A vida continua e o tempo é circunstância.




terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Preferências

Estou preferindo as frutas. Especialmente as vermelhas e suculentas. Prefiro cidades afortunadas, aquelas que tem pessoas miúdas e trânsito de bicicletas. Também tenho prazer com cidades obscurecidas pela fumaça seja ela pelo frio ou por queimadas.
As minhas músicas prediletas, tocam no meu ipod, mesmo se nao escuto.
A vida continua e eu vou indo de bicicleta por aí.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Próxima parada

Dizem que mineiro não perde o trem... e nem o ônibus.
Eu perco! Só não perco o trem "literal" porque não uso.
Mas ônibus....E foi por isso que precisei ir até à rodoviária Novo Rio, trocar uma passagem por outra, para minha próxima ida à Uberaba.
Fiz as contas: Bem, vou de carro até a rodoviária Alvorada, deixo o carro no estacionamento e vou de "frescão" até à rodoviária Novo Rio. Troco minha passagem e se der sorte volto no "frescão" seguinte e em menos de três horas estarei em casa! Adoro minha casa!!
Saí e no caminho, lembrei que o Alvorada-Novo Rio só sai de hora em hora!
Olhei o relógio: faltavam 14 minutos para as 13:00! Era o tempo que eu tinha para acabar de chegar, estacionar o carro, pagar, comprar o bilhete e entrar. Quando cheguei em frente ao estacionamento, havia um "mala" na minha frente que discutia o preço com o mocinho que libera a cancela. O meu  Frescão estava pronto pra sair e começava a manobrar.
Buzinei! ...pois é.... e o mala se adiantou um pouco, eu aproveitei o vácuo da abertura do portão e entrei tinindo. Larguei o carro de qualquer jeito,  fui correndo tentar alcançar o maldito ônibus na volta que ele faz dentro da rodoviária. O mocinho queria o pagamento e eu disse a ele, apontando: - preciso pegar aquele ônibus ali!!! (Sei que há uma parada no corredor e esta era minha chance.)  Ele foi compreensivo e  deixou-me pagar na volta.
Corri feito uma "Lola" e o motorista já havia engatado a primeira, quando cheguei esbaforida e consegui entrar!
Ufa! Sentei e aproveitei o balanço  e o ar condicionado do ambiente.
Chegamos à Novo Rio as 13:40 hs. Eu tinha 20 minutos antes da saída do próximo ônibus. Moleza! No guichê, eram três pessoas na minha frente. Vai dar tempo! Mas a senhora que estava sendo atendida começava a comprar 6 passagens! Ai... Quando ela finalmente terminou de escolher as poltronas, foram emitidos os bilhetes, anotada a plataforma e grampeado aquele maldito papelzinho pardo, começou tudo de novo! Ela precisava de mais 6, para a volta! Quando acabou, eu olhei naquele relógio grandão do saguão: Faltavam três minutos para as 14:00 hs... Vamos, gente, vamos! Mas o próximo resolveu sua parada rápido e o seguinte também e chegou minha vez! Ia falar e tocou o telefone do guichê. E fala, que fala, que fala... Nossa!!! Só interrompeu  a conversa  para ouvir a tal senhora das 12 passagens que voltou para dizer, polegar para cima: - agora está tudo certo, agora está tudo certo mesmo!) Grrrrrrrrrrrrrr. 
Telefone desligado, ele me atendeu com a morosidade simpática dos cariocas;  foi muito gentil, gentil demais. Precisava falar tanto?
Saí com minha passagem e resolvi arriscar, meio sem esperança. Quem sabe o Frescão atrasou? Comecei a correr lolamente e cheguei batendo a barriga na catraca: -  Dá tempo de ir para a Barra?
O motorista esperou e eu entrei, orgulhosa do meu feito.
Relaxei um pouco, um silêncio amigável no ambiente fresquinho e comecei a pensar. Mas porque raios eu corri tanto? Meu próximo compromisso é jantar com o Miguel, às 8:00 hrs da noite.
Tudo bem, eu sou filha do Gastão, vulgo, aflição. E sou mineira, a tal que não perde o trem.
Mas acho que foi mais pelo desafio. Preciso vencer obstáculos. Mesmo que eles sejam virtuais.



sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Destino

Frio e chuva. São Paulo. Atrasada, pego um táxi. O motorista escolhe o caminho menos pior. Ele nasceu em São Paulo, conhece muito bem a cidade, é taxista faz mais de 30 anos.
Meu telefone toca. É ela. -" Onde você está? Estou no táxi, chego aí em 15 minutos. Passe o telefone pro taxista que vou dizer a ele qual é o melhor caminho. Ele sabe, já chego aí. Não, ele não sabe, passe o telefone para ele. Hummmm, ela quer falar com você...Quem? Ela. Tá."
Ele escuta, ela fala.
-"Mas já estou fazendo este caminho! Sim, sim, não, sim, pode deixar, eu sei, está bem..."
Aflição. Dirigindo e falando ao celular. Não pode dar certo. "Olhe o guarda! O farol fechou!"
Uma lástima. Buzinas, motos, flanelinhas, balinhas.
Chego, 20 minutos atrasada. Esqueci que era tão difícil. É fácil esquecer.
Lá dentro, está escuro, mas aquecido. Cafezinho, água, poltrona confortável.
-" Olhe o que eu fiz!" Olhei. "Não, não gostei. Pode fazer de novo?" -" Posso". -"Então faça. Volto daqui um mês."
Dizem que chegar não importa. Que o importante é a viagem. Será?

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Número desconhecido

Tocou o telefone e ao perceber que era de um número desconhecido de São Paulo, atendi aflita. Helena, Helena... Adrenalina a mil. Era um amigo, de passagem pela cidade. Quem vem sempre quer voltar. Cidade de pesadelos em paisagens magníficas. Caos no trânsito, corcovados, horizonte úmido. Distante de tudo, na preguiça da tarde, ouço um cão ladrar, um avião cruzar o céu, o vento nos coqueiros. E só. Hoje, sou toda ouvidos.