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sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Felicidade

Viagens. Planos. Passagens.
Eu vou, você vai, ele volta.
E tudo outra vez, só que ao contrário.
Em casa, meu sofá é confortável, minha cama.
Começa a anoitecer aqui. Lá é noite fechada.
Começa o verão, antípodas no inverno.
Domingo, jantaremos juntos.
No mesmo hemisfério,
Na mesma cidade,
Na mesma frequência.
Felicidade!

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Próxima parada

Dizem que mineiro não perde o trem... e nem o ônibus.
Eu perco! Só não perco o trem "literal" porque não uso.
Mas ônibus....E foi por isso que precisei ir até à rodoviária Novo Rio, trocar uma passagem por outra, para minha próxima ida à Uberaba.
Fiz as contas: Bem, vou de carro até a rodoviária Alvorada, deixo o carro no estacionamento e vou de "frescão" até à rodoviária Novo Rio. Troco minha passagem e se der sorte volto no "frescão" seguinte e em menos de três horas estarei em casa! Adoro minha casa!!
Saí e no caminho, lembrei que o Alvorada-Novo Rio só sai de hora em hora!
Olhei o relógio: faltavam 14 minutos para as 13:00! Era o tempo que eu tinha para acabar de chegar, estacionar o carro, pagar, comprar o bilhete e entrar. Quando cheguei em frente ao estacionamento, havia um "mala" na minha frente que discutia o preço com o mocinho que libera a cancela. O meu  Frescão estava pronto pra sair e começava a manobrar.
Buzinei! ...pois é.... e o mala se adiantou um pouco, eu aproveitei o vácuo da abertura do portão e entrei tinindo. Larguei o carro de qualquer jeito,  fui correndo tentar alcançar o maldito ônibus na volta que ele faz dentro da rodoviária. O mocinho queria o pagamento e eu disse a ele, apontando: - preciso pegar aquele ônibus ali!!! (Sei que há uma parada no corredor e esta era minha chance.)  Ele foi compreensivo e  deixou-me pagar na volta.
Corri feito uma "Lola" e o motorista já havia engatado a primeira, quando cheguei esbaforida e consegui entrar!
Ufa! Sentei e aproveitei o balanço  e o ar condicionado do ambiente.
Chegamos à Novo Rio as 13:40 hs. Eu tinha 20 minutos antes da saída do próximo ônibus. Moleza! No guichê, eram três pessoas na minha frente. Vai dar tempo! Mas a senhora que estava sendo atendida começava a comprar 6 passagens! Ai... Quando ela finalmente terminou de escolher as poltronas, foram emitidos os bilhetes, anotada a plataforma e grampeado aquele maldito papelzinho pardo, começou tudo de novo! Ela precisava de mais 6, para a volta! Quando acabou, eu olhei naquele relógio grandão do saguão: Faltavam três minutos para as 14:00 hs... Vamos, gente, vamos! Mas o próximo resolveu sua parada rápido e o seguinte também e chegou minha vez! Ia falar e tocou o telefone do guichê. E fala, que fala, que fala... Nossa!!! Só interrompeu  a conversa  para ouvir a tal senhora das 12 passagens que voltou para dizer, polegar para cima: - agora está tudo certo, agora está tudo certo mesmo!) Grrrrrrrrrrrrrr. 
Telefone desligado, ele me atendeu com a morosidade simpática dos cariocas;  foi muito gentil, gentil demais. Precisava falar tanto?
Saí com minha passagem e resolvi arriscar, meio sem esperança. Quem sabe o Frescão atrasou? Comecei a correr lolamente e cheguei batendo a barriga na catraca: -  Dá tempo de ir para a Barra?
O motorista esperou e eu entrei, orgulhosa do meu feito.
Relaxei um pouco, um silêncio amigável no ambiente fresquinho e comecei a pensar. Mas porque raios eu corri tanto? Meu próximo compromisso é jantar com o Miguel, às 8:00 hrs da noite.
Tudo bem, eu sou filha do Gastão, vulgo, aflição. E sou mineira, a tal que não perde o trem.
Mas acho que foi mais pelo desafio. Preciso vencer obstáculos. Mesmo que eles sejam virtuais.



quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Emoção stricto sensu

Kai-hung Fung é um radiologista chinês que transforma tomografias em arte. Segundo ele, cada detalhe de cor tem relação específica com alguma estrutura anatômica verdadeira.
Ele é um cientista, usa cores para definir estruturas.
Eu, formada de pão e manteiga, queijo e goiabada, bem sei como é lidar com ciências tão distintas quanto a arte e a medicina. Já circulei por inúmeras mídias dentro da arte, experimentando e inventando cada vez que criava. A descoberta das possibilidades e a frustração de ver que mesmo muito bons ingredientes podem juntos, desandar, fez da minha viagem pela arte uma estrada pouco linear, com montanhas, desfiladeiros, vales, vulcões e também planícies, lindas e bucólicas planícies.
Minhas primeiras pinturas foram feitas com tinta para aquarela que eu aplicava como tinta óleo sobre o papel. Espessas camadas de tinta cobriam tudo, minha " aquarela" tinha textura. Mas era tão grande a minha necessidade de expressar, que tudo começou assim, explosivamente.
Ainda me lembro da intensa emoção de iniciar um trabalho e em pouco tempo, vê-lo falar comigo, devolver-me a tomografia dos meus sentimentos.
Depois aprendi a técnica da aquarela e descobri que sou densa, bruta demais para algo tão delicado e perigosamente fugidio.
Dentro da medicina, também enveredei pelas imagens. Tinha uma atração aguda por radiografias e tomografias. Depois do diagnóstico (e da solução), eu começava minha viagem.
O microscópio desorganizou de vez as minhas tintas. Quantas vezes atarefada em concluir um laudo, encontrava um campo especial e interrompia meu raciocínio, para fotografá-lo pela beleza estética, queria torná-lo meu, parte do meu arquivo. É bem provável que aqueles campos de flores, aquelas linhas tortuosas e sensíveis já estivessem armazenadas no meu inconsciente e apenas vinham à tona. Emoção stricto sensu.

domingo, 26 de abril de 2009

O tempo...

Embalada nessa roda viva temporal, atravesso a mesma melancólica paisagem, mais uma vez.
No meio das tardes, sei que estará tudo bem se eu passar assim por aqui muitas vezes mais.
Quer dizer que estive com ela, que pude cheirar as dores e desconfortos, quase como um cão molosso. Pude cozinhar para ela, pude conferir as pintas e sinais e ouvir as risadas, coisas que vão ocupar minhas lembranças até a próxima vez.
Boa viagem, Pequena, bom destino, boas semanas...
Em sua roda viva ainda selvagem muitos pequenos ajustes serão burilados pelo tempo.
Sempre o tempo. Que já andou limando minhas arestas e até hoje anda...

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Nebulosas

Vamos lá. O tempo passou depressa e eu nada fiz durante esses dias. Admito que o que me faltava era alcool e nicotina. Pronto...está feito.
Depois dessa viagem, eu posso dizer que é improvável o que desejo tanto e só falta despencar da escada e quebrar uns ossos, para tornar a fantasia real.
Vim procurar sossego, mas onde? No sono do gato. No ronco do cachorro. Na campainha que não toca. Na luz de segurança que não funciona.
Ok, hoje acabou, vamos todos dormir. Alguém aí, por favor, apague a luz.