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quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Normalidade

Guardei as bicicletas no quartinho de guardar, somente a minha ficou aqui na garagem. Também guardei os enfeites de Natal, dois dias antes do dia de Reis. Embalei os travesseiros novos, lavamos as toalhas de piscina e as roupas de cama dos hóspedes.
Só ontem quando minha última visita foi-se embora reparei na decoração de Natal do condomínio.
Aquelas luzes não brilhavam mais que meu interior, cheio de alegria e de felicidade.
Nas alegrias, gritei e bebi com todas as minhas forças e rouca, espantei os demônios da solidão naqueles momentos tão compartilhados.
Na felicidade, aquela que vai convivendo placidamente conosco durante o tempo que dura, estive serena e realizada.
Agora tudo volta ao normal e a minha bicicleta espera por mim para irmos à praia, sozinhas para ver o mar.
Volto a escrever e a revisar meus textos com a dedicação de quem deve fazer o melhor possível.
Minha geladeira voltou a ser espaço para verduras e frutas, não há mais sorvetes e nem pavês ou queijos gordos.
As cervejas também acabaram, olha o mundo de novo se repetindo.
Acima de tudo acredito nesse repetir-se.
Porque somente a tolerância e a empatia tornam viver  mais confortável.
E passar pelos mesmos caminhos, reconhecendo suas pedras e seus tropeços nos torna mais fortes e capazes.
Vamos descobrindo o que há de novo nas entrelinhas.
Depois de guardar a nostalgia, é de novidades que precisamos.
Vamos lá Ano Novo, mostre sua cara!

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Garis e margaridas

Os garis e as margaridas cortavam a grama e recolhiam a infinidade de folhas que caiu no vendaval de ontem. Os montinhos de grama e folhas, prontos para serem ensacados, exalavam o cheiro agreste de mato. Na ciclovia, durante todo o percurso de minha casa até a praia, eles trabalhavam com o uniforme e as ferramentas de jardinagem de um alaranjado berrante, que contrastava com a paisagem verde desmaiado.
Também passei por uma área da avenida, que esteve interditada muitos meses para obras de saneamento básico. Era a hora do almoço e os rapazes, todos de uniforme azul escuro, estavam deitados um ao lado do outro fazendo a sesta. Quando passei por eles falei: - estão acabando em gente? e todos responderam com sons vagos mas assertivos.
Amanhã já estarão em outro endereço.
Que triste deve ser terminar um trabalho assim e ir-se embora.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Menos...

Certa vez comprei um banco, bem pequenininho. Posso colocar os pés enquanto descanso na poltrona. Uso, as vezes como mesinha para colocar meu suco. Há alguns dias fiz um paninho de croché para cobri-lo. Assim coberto, perdeu a identidade.
Às vezes usamos roupagens que não nos favorece. Uma blusa bege em uma pessoa bege, amarela a composição. Acho também que as cores que vestimos nos representam, principalmente quando vestimos uma roupa com pressa, com os minutos contados para pegar o elevador. Quando saio de casa vestida para correr, estou correndo desde que calço os tênis apropriados e bons. Volto da praia e tomo um banho quentinho antes de almoçar. Quase sempre visto um vestidinho velho, escrevo, tomo um chá. Esta parte do dia, com todos os desejos saciados, endorfinas fluindo, sabe a recordações e reminiscências. É o momento de reflexão, para arrumar as malas e identificar o que irá dentro dela. Sempre levo roupas de frio e muitas roupas de verão. Esta é minha expectativa mesmo que eu vá pro Himalaia.
Algumas pessoas tem carácter colorido e sabem misturar estampas, são elegantes e poderosas. Mesmo seus vestidinhos velhos tem uma estrutura aquecida, "vocês aí, sabem quem eu fui?"
Os cachecóis enfeitam melhor, os casacos caem bem, a roupinha de dormir parece um sonho.
Mas, deixa estar. Sou nova ainda, vou aprender a servir em todo tipo de roupa. Vou começar tirando o croché do banquinho. O menos em geral vale mais.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

B-I-C-I-C-L-E-T-A

Hoje está um dia claro e fresco. Resolvi pedalar na praia. Peguei minha garrafinha de água, coloquei no suporte da minha magrinha e fui saindo, animada. Na rua percebi que os pneus estavam muito vazios. Voltei. Onde está a bomba de calibragem? Ali. Não dava pressão. Os pneus ficaram mais murchos que antes. Resolvi ir até a portaria do condomínio, ao lembrar que como os seguranças fazem suas rondas de bicicleta, eles deveriam ter alguma bomba por ali. Tinham, mas estava quebrada também. Voltei para casa, injuriada, procurei pelas outras duas bombas que tenho certeza, estão bem guardadas...Não achei. Detesto quando planejo alguma coisa e não sai. Aí lembrei da minha bicicleta velhinha, que eu comprei num impulso logo que mudamos pro Rio. Ela estava em forma, pneus calibrados e eu pude sair com ela. Pensava em quanto sou teimosa; entrei fechado demais em uma curva e quase caí. Lembrei de quando eu resolvi aprender a andar de bicicleta e fiquei rindo sozinha. Bom, eu não sou a única nesta família que prima pela teimosia. Todas somos muito custosas e quando nos reunimos, há sempre discussões figadais. Cada uma tem seu ponto de vista e o defende vivamente e em geral cada uma vai embora com a própria opinião ainda mais elaborada.
Eu resolvi aprender a andar de bicicleta em umas férias que passei na fazenda do Hércules. Puxei fundo pelos meus neurônios mais antigos, mas não me lembro porque decidi aprender a andar de bicicleta naquele dia. Com certeza, alguém zombou de mim e eu encafifei. Lá havia uma bicicleta bem velha, sem freios, pneus carecas e murchos, guidon meio torto. O espaço que eu tinha para aprender era em um declive do terreno, de terra batida e era preciso fazer curvas bem fechadas, porque ali em volta daquela pequena clareira, havia muitos limoeiros. Com a companhia de algumas galinhas e pintinhos alvoroçados, penei! Não sei quantas vezes caí e levantei e teimei. Mas acabei pegando o jeito e feliz e cansada, suja de terra e coberta de arranhões fui tomar banho.
Em tempo. Meus irmãos também são muito teimosos, apenas fazem menos barulho...

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Conforto

Saí cedo, fui buscar um pouco de ar na beira da praia. Estava chovendo e chove ainda. Mesmo assim foi inesquecível. Descobri que eu posso! Posso quase tudo agora, inclusive correr desabaladamente. Zona de conforto, posso relaxar.