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quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Qual é o nome dele?

Alvoroço!!!
Por volta das seis da manhã, uma hora antes do despertador, acordamos com um som muito especial. Toc, toc....toc, toc... toc...toc, toc. Alguém batendo? Quem está chamando?
Um dia, ao abrir a janela mais cedo, descobrimos. Um passarinho pousado no encosto da cadeira de jardim, segura uma semente com o bico e bate com ela na madeira até extrair a castanha. É lindo. Imaginei que o espetáculo fosse durar enquanto ele vivesse, mas outras espécies aprenderam e hoje se alternam na tarefa. Vários bicudos agem da mesma forma. As vezes é um bem-te-vi, as vezes um sabiá, mas o mais comum é um passarinhozinho branco com uma listra preta que vai do bico à ponta da asa, muito comum aqui no Rio. Já ouvi o nome dele algumas vezes mas não guardei. É muito bom ouvir e ver esta interação tão espontânea e criativa, os caprichos da natureza. Miguel e eu nos deliciamos observando, escondidos atrás da cortina do quarto. Não, não fotografei... E nem vou fotografar... Você bem que "podia" acreditar...
Ou então, na sua próxima visita, eu mostro!

terça-feira, 30 de junho de 2009

Noviças

Caminhando, quase chegando a um ponto de ônibus, vi descer da condução duas mocinhas de hábito. Elas caminhavam uns 5 metros a minha frente e eu podia ouvir os sons de uma conversa animada e risadinhas divertidas. Acertei meu passo com o delas, tentando manter a mesma distância. Só as via de costas, elas vestiam uma túnica rosa-perdido, amarrada na cintura por uma corda simpática; um véu marrom (ou seria melhor dizer castanho?) e umas sandalhinhas de dedo, bem simplesinhas. Eram tão femininas e delicadas dentro daquela roupa pesada... A túnica as cobria completamente, inclusive as mãos porque as mangas eram grandes demais para elas. O véu escuro, descia até o tornozelo, densa cabeleira com movimento amplo, animado também. Enquanto andavam eu só podia ver seus calcanhares rosados e fortes, recém-nascidos a cada passo. Cheguei mais perto, queria saber sobre o que falavam, até que senti meu rosto queimar de vergonha. Sosseguei e fui acompanhando a dupla, até que elas continuaram em frente, em direção ao mar, meninas do Rio que são; e eu virei à esquerda, seguindo meu caminho para casa.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Pranchas e guarda-chuvas


O gingado característico dos meninos das praias deve ter a ver com carregar pranchas de surfe.
Nunca participei de uma aula de surfe mas os professores devem instruir sobre como caminhar na praia, andar de bicicleta, tomar uma água de coco sem "pranchear" as pessoas em volta. Aquilo é uma arma. Os meninos carregam a prancha na horizontal que forma um T com seus corpos esguios. Volteiam pra lá e pra cá e todo mundo parece sair incólume. Deve haver um segredo...
Eu sempre tive medo e só de pensar que uma prancha pode me atingir quando estou pegando um jacaré, sinto um frio no estômago e quero voltar para a areia. Ou para o calçadão que é definitivamente o meu lugar.
Em São Paulo, não há praia, mas há chuva. Muita chuva. E lá meu maior problema são os guarda-chuvas... Avenida Paulista, chuvarada de fim de tarde, todo mundo saindo do trabalho, todos armados com seus guarda-chuvas abertos. Como sou ligeiramente mais alta que a média das pessoas, as malditas pontas de guarda-chuvas ficam bem na altura dos meus olhos. Assim, se estou sem o meu, fecho os olhos e saio tateando as pontas e me esquivando. Quando estou com a sombrinha aberta, uso meio inclinada, para me proteger das pontas muito mais do que dos pingos de chuva.
Saudade das minas gerais...

domingo, 14 de junho de 2009

Essa é bruta!

Enquanto estava cursando a faculdade de Medicina Veterinária aqui no Rio, participei de atividades variadas e curiosas. Fomos, certa vez, passar um fim de semana na fazenda, onde poderíamos manipular os animais e fazer pequenas cirurgias. Em um dia cheio de emoções, aprendemos a colocar cabritos no chão, deitados de lado, imobilizados para qualquer procedimento.
A maioria dos meus colegas é bastante jovem, eu sempre soube que tarefas em campo poderiam ser um problema para mim. No curral, além dos cabritos assustados, estavam os colegas, o professor e os peões da fazenda, curiosos e olhando divertidos nossa falta de jeito.
Resolvi que ia mostrar serviço. Chegou minha vez. Seguindo a orientação do professor, agarrei firmemente uma orelha e o rabo do meu cabrito, apoiei o joelho na lateral de sua barriga, levantei o animal do chão e pressionando com o joelho para frente, deitei o bicho de primeira.
Foi aí que ouvi um peão falando pro outro, admirado: "-Essa é bruta!"

domingo, 3 de maio de 2009

O outono...

Esta é a melhor época aqui no Rio. Os dias são claros e calmos, uma brisa, um sol envolvente. As cores das plantas e flores e objetos em geral ficam realçadas, bem definidas.
Quase nada sofre, a natureza está em paz.
Eu também. Mas queria resgatar a qualquer instante, esta sensação de beleza e quietude, queria guardar no bolso. Para quando viver estiver amargo e áspero, eu poder derriçar por aí.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Mangueira

Queria falar sobre uma mangueira que desejo muito. Ela só cresce e frutifica no Triângulo Mineiro, onde eu também cresci. Já trouxe mudas, já trouxe as mangas e segui a receita do meu irmão especialista em "fazer vingar os pés de manga Sabina". Segundo o Marcos, é preciso deixar o caroço bem branquinho, o que significa passar um hora chupando os fiapos, encanecendo a loirice da fruta. Depois deixá-la secar completamente, ao sol, no seco até esturricar. Aqui no Rio é uma tarefa dificil porque a umidade relativa do ar sempre alta, torna até o respirar normalmente mais trabalhoso. Mas, a gente se acostuma.
Preparam-se a terra e o vaso onde colocaremos o caroço. É preciso colocar o caroço branco e seco, meio inclinado e deixar o ponto do talo bem na superfície da terra do vaso, quase descoberto. Entenderam ? Pois é! Eu fiz, direitinho, mais de uma vez...Até o cão chupou manga, pena que mastigou o caroço...
Na última tentativa, brotaram!!! Uma pequena folhinha meio enrolada dentro de si, se abriu, se esticou e outras folhinhas nasceram e depois dois brotos no mesmo caroço. Ainda segundo o Marcos, na hora de passar a mudinha para o chão é preciso desprezar o broto menor ... Isto feito, plantadas no chão bem preparadinho para elas, desenvolveram, a princípio envergonhadas, mas em menos de um mes estavam muito bonitas.
Sucesso?! Que nada. Em pouco tempo foram definhando, caule fraco meio seco até morrerem definitivamente. Bom, desisti. E pensei, tentando me consolar, que esta manga tem gosto de Uberaba, de estar em família, muita gente falando ao mesmo tempo, naquela mesa em que "ele sentava sempre" e a gente se empanturrava de manga Sabina...
Hoje fui lá no quintal ver como vão meus pezinhos de pimentão vermelho e meu pezinho de limão galego e vi! Gente, a mangueira ressuscitou. Lá está, onde tinha sido plantada uns seis meses atrás, linda, cheia de folhas novas ainda enrugadas e acastanhadas e transparentes.
Aqui no Rio, até as mangueiras se acostumam...